Nos últimos anos, tem havido uma tendência crescente de empresas portuguesas optarem por uma listagem dupla em bolsas de valores estrangeiras, especialmente em Londres. No entanto, a recente declaração da CEO da Euronext Lisbon, Isabel Ucha, levanta a questão: “Podem ir para outra praça?”
Isabel Ucha afirmou que “é um banco esmagadoramente português” e que, por norma, “há uma tendência para escolher” o país onde a empresa tem maior operação. Esta declaração foi feita em resposta ao cenário de “dual listing” em Lisboa e em Londres, que chegou a ser falado pelo CEO do Novobanco, Mark Bourke.
O “dual listing” é uma prática em que uma empresa é listada em duas bolsas de valores diferentes, geralmente em seu país de origem e em um mercado estrangeiro. Esta estratégia tem sido adotada por muitas empresas portuguesas nos últimos anos, como a Galp Energia, a EDP e a Jerónimo Martins, que têm uma listagem secundária em Londres.
No entanto, a declaração de Isabel Ucha levanta a questão se esta tendência continuará no futuro. Será que as empresas portuguesas devem continuar a optar por uma listagem dupla em Londres ou devem concentrar-se em fortalecer a sua presença no mercado nacional?
A resposta a esta pergunta não é simples. Por um lado, a listagem em Londres pode trazer benefícios significativos para as empresas portuguesas. A bolsa de valores de Londres é uma das maiores e mais líquidas do mundo, o que pode atrair mais investidores e aumentar a visibilidade das empresas portuguesas no mercado internacional. Além disso, a listagem em Londres pode permitir que as empresas portuguesas tenham acesso a um mercado de capitais mais desenvolvido e diversificado, o que pode ser vantajoso para o seu crescimento e expansão.
Por outro lado, a listagem em Londres também pode trazer alguns desafios. Uma das principais preocupações é a possibilidade de as empresas portuguesas perderem o controlo sobre a sua gestão e estratégia, uma vez que terão que cumprir com as regras e regulamentos do mercado de capitais britânico. Além disso, a listagem em Londres pode ser mais cara e exigir mais recursos das empresas portuguesas, o que pode ser um fator limitante para as empresas de menor dimensão.
No entanto, a decisão de optar por uma listagem dupla em Londres não deve ser tomada apenas com base em fatores financeiros. É importante considerar também o impacto que esta decisão pode ter na economia portuguesa como um todo. A listagem em Londres pode ser vista como uma forma de diversificar os investimentos e atrair mais capital estrangeiro para Portugal, o que pode ser benéfico para o crescimento económico do país.
Além disso, a listagem em Londres pode ser vista como uma forma de aumentar a competitividade das empresas portuguesas no mercado global. Ao ter uma presença em Londres, as empresas portuguesas podem ter acesso a novas oportunidades de negócio e parcerias internacionais, o que pode ser crucial para o seu sucesso a longo prazo.
Em resumo, a decisão de optar por uma listagem dupla em Londres ou concentrar-se no mercado nacional é uma escolha que deve ser feita por cada empresa individualmente, tendo em conta os seus objetivos e estratégias de crescimento. No entanto, é importante que as empresas portuguesas não percam de vista o impacto que esta decisão pode ter na economia do país e na sua competitividade a nível global.
Portanto, a resposta à pergunta “Podem ir para outra praça?” é sim, as empresas portuguesas podem




