Nos últimos anos, temos visto um aumento significativo no número de mulheres no mercado de trabalho. No entanto, nem tudo é motivo de celebração. Um estudo recente revelou que mais de um quarto das mulheres trabalhadoras têm vínculos precários, um fenómeno que se agrava entre as mais jovens e as estrangeiras. Portugal é o segundo país da União Europeia com maior número de empregos precários, o que é preocupante e exige uma reflexão sobre as condições de trabalho oferecidas às mulheres.
O termo “emprego precário” refere-se a situações de trabalho que são caracterizadas por uma falta de estabilidade e segurança. Isso inclui contratos temporários, trabalho a tempo parcial involuntário, trabalho temporário e outras formas de emprego que não oferecem garantias de longo prazo. Essas condições de trabalho podem ter um impacto negativo na vida das mulheres, afetando sua saúde física e mental, bem como suas perspectivas de carreira.
De acordo com o estudo realizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), 27,7% das mulheres trabalhadoras em Portugal têm vínculos precários. Isso significa que mais de um quarto das mulheres estão em situações de trabalho instáveis e incertas, sem a garantia de um emprego a longo prazo. Além disso, as mulheres mais jovens e as estrangeiras são as mais afetadas por essa realidade, com 38,7% e 33,3%, respectivamente.
Esses números são alarmantes e mostram que, apesar dos avanços na igualdade de gênero, ainda há muito a ser feito no que diz respeito às condições de trabalho oferecidas às mulheres. O emprego precário não afeta apenas a vida das mulheres, mas também a economia do país. Quando as mulheres não têm estabilidade no trabalho, isso pode ter um impacto negativo em sua renda e, consequentemente, em seu poder de compra. Isso também pode afetar sua capacidade de planejar o futuro e investir em sua educação e carreira.
Portugal não é o único país da União Europeia com altos índices de emprego precário entre as mulheres. No entanto, é importante destacar que esse fenômeno é mais acentuado em países do sul da Europa, como Espanha e Grécia. Isso mostra que há uma necessidade urgente de políticas e medidas que promovam a igualdade de gênero e garantam condições de trabalho justas para as mulheres.
Uma das principais razões para o aumento do emprego precário entre as mulheres é a desigualdade de gênero no mercado de trabalho. As mulheres ainda são responsáveis pela maior parte do trabalho doméstico e de cuidados, o que as impede de se dedicar totalmente a suas carreiras. Além disso, a discriminação de gênero e a falta de oportunidades de promoção também contribuem para a precariedade do emprego feminino.
No entanto, é importante ressaltar que as mulheres não são as únicas afetadas pelo emprego precário. Esse fenômeno também afeta os jovens, os imigrantes e outros grupos vulneráveis no mercado de trabalho. É necessário um esforço conjunto de governos, empresas e sociedade civil para combater essa realidade e garantir condições de trabalho justas para todos.
Felizmente, já existem iniciativas e políticas sendo implementadas para combater o emprego precário em Portugal. O Plano Nacional para a Igualdade de Género, Cidadania e Não Discriminação 2018-2021, por exemplo, tem como objetivo promover a igualdade de gênero no mercado de trabalho e combater a discriminação de gênero. Além disso, o Governo lançou recentemente o programa “3 em Linha”, que visa aumentar a contratação de mulheres em cargos de liderança nas





