A gestão do turismo tem sido um tema cada vez mais discutido em Portugal. Com o aumento do número de turistas nos últimos anos, surgiram também preocupações em relação ao impacto desse crescimento na vida dos residentes e na preservação do patrimônio cultural e ambiental do país. Diante desse cenário, uma pesquisa realizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos revelou que a maioria dos portugueses apoia a redução do alojamento local e uma gestão mais controlada do turismo, priorizando o bem-estar dos residentes, mesmo que isso implique em uma diminuição nas receitas turísticas.
O barómetro, que foi divulgado recentemente, mostrou que 62% dos portugueses concordam com a redução do número de alojamentos locais em áreas turísticas, enquanto apenas 17% são contra essa medida. Além disso, 59% dos entrevistados acreditam que o turismo deve ser gerido de forma mais controlada, dando prioridade às necessidades dos residentes, enquanto apenas 13% defendem uma gestão mais liberal do setor. Esses resultados demonstram que a população portuguesa está cada vez mais consciente da importância de equilibrar o turismo com o bem-estar da comunidade local.
Uma das principais preocupações dos portugueses é o impacto do turismo na habitação. Com o aumento da demanda por alojamentos turísticos, muitos proprietários têm optado por transformar seus imóveis em unidades de alojamento local, o que tem contribuído para a escassez de moradias para os residentes. Segundo o barómetro, 65% dos portugueses acreditam que a expansão do alojamento local tem sido um dos fatores responsáveis pelo aumento dos preços dos aluguéis e da dificuldade em encontrar moradias a preços acessíveis.
Além disso, o barómetro também abordou a questão do excesso de turistas em determinadas áreas do país. A maioria dos entrevistados (52%) concorda que a gestão do turismo deve priorizar a preservação do patrimônio cultural e ambiental, mesmo que isso signifique uma redução no número de visitantes. Essa preocupação é compreensível, já que o aumento do turismo pode trazer consequências negativas, como o desgaste de monumentos históricos e a degradação do meio ambiente.
É importante ressaltar que a redução do alojamento local e uma gestão mais controlada do turismo não significam a rejeição ao setor. Pelo contrário, os portugueses reconhecem a importância do turismo para a economia do país, mas defendem que ele seja gerido de forma mais sustentável e equilibrada. Afinal, o turismo é uma importante fonte de receita e geração de empregos, mas não pode ser visto como a única solução para o desenvolvimento de Portugal.
Com base nos resultados do barómetro, é possível afirmar que a população portuguesa está cada vez mais consciente da necessidade de um turismo mais sustentável e responsável. Essa mudança de mentalidade é fundamental para garantir que o turismo continue sendo uma atividade benéfica para o país, sem prejudicar a qualidade de vida dos residentes e a preservação do patrimônio nacional.
É importante destacar que o governo português já tem adotado medidas para controlar o turismo, como a limitação do número de alojamentos locais em determinadas áreas e a criação de taxas turísticas. No entanto, é necessário um esforço conjunto da sociedade, do setor privado e do poder público para garantir uma gestão mais sustentável do turismo em Portugal.
Portanto, é animador ver que a maioria dos portugueses está disposta a abrir mão de parte das receitas turísticas em prol do bem-estar dos residentes





