O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia tem sido alvo de muitas discussões e negociações ao longo dos anos. Depois de quase duas décadas de negociações, finalmente foi alcançado um acordo em junho de 2019. No entanto, sua ratificação ainda enfrenta alguns obstáculos, como a cláusula de medidas de proteção, que não foi suficiente para obter a aprovação da França.
A cláusula de medidas de proteção é um mecanismo que permite aos países membros do Mercosul e da União Europeia aplicarem tarifas mais altas em produtos específicos, caso haja um aumento significativo nas importações e um impacto negativo na produção local. Isso é uma preocupação para a França, que teme que a abertura do mercado possa prejudicar sua indústria agrícola.
Por essa razão, Paris solicitou à União Europeia o adiamento da assinatura do acordo, que estava prevista para acontecer no sábado, dia 28 de junho. A França alega que as medidas de proteção propostas pela UE não são suficientes para proteger seus produtores agrícolas e que é necessário um período de transição para que possam se adaptar às mudanças.
No entanto, apesar da posição da França, o Parlamento Europeu aprovou recentemente um conjunto de salvaguardas agrícolas mais rígidas, que devem ser incluídas no acordo. Essas medidas incluem uma redução nas cotas de importação de carne bovina e etanol, além de uma taxa de importação mais alta para o açúcar e a carne de aves. Essas salvaguardas têm como objetivo proteger os produtores europeus de um possível aumento nas importações do Mercosul.
A decisão do Parlamento Europeu é vista como um passo importante para a ratificação do acordo, pois mostra que a União Europeia está levando em consideração as preocupações dos países membros, como a França. Além disso, essas medidas de proteção mais rígidas também podem ajudar a acalmar as preocupações de outros países europeus, que também têm setores agrícolas sensíveis.
No entanto, é importante ressaltar que essas salvaguardas não são definitivas e podem ser revisadas após um período de cinco anos. Isso significa que a França ainda terá a oportunidade de discutir suas preocupações e propor novas medidas de proteção, se necessário. Além disso, o acordo ainda precisa ser aprovado pelos parlamentos de todos os países membros da União Europeia, o que pode levar algum tempo.
Apesar dos obstáculos e das discussões em torno do acordo, é importante lembrar que a abertura do mercado entre o Mercosul e a União Europeia trará inúmeros benefícios para ambas as partes. O acordo prevê a eliminação de tarifas em 90% dos produtos comercializados entre os blocos, o que deve impulsionar o comércio e aumentar o crescimento econômico.
Além disso, o acordo também prevê a proteção de marcas e patentes, o que é importante para incentivar a inovação e o desenvolvimento de novas tecnologias. Isso pode trazer benefícios não apenas para as empresas, mas também para os consumidores, que terão acesso a produtos de melhor qualidade e com preços mais competitivos.
Portanto, é fundamental que os países membros da União Europeia continuem trabalhando juntos para superar as diferenças e ratificar o acordo o mais rápido possível. Isso será benéfico não apenas para os dois blocos, mas também para a economia global como um todo.
Em resumo, a aprovação das salvaguardas agrícolas mais rígidas pelo Parlamento Europeu é um passo importante para a ratificação do acordo de livre comérc





