Os integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) estão em uma posição mais confortável para esperar e analisar os dados antes de tomarem qualquer decisão em relação à política monetária dos Estados Unidos. Isso é o que sugere o último relatório de empregos do mês de dezembro, conhecido como Payroll.
O Payroll é um dos indicadores econômicos mais importantes e aguardados pelos investidores e especialistas de mercado. Ele mede a criação de empregos no setor não-agrícola nos Estados Unidos e é divulgado mensalmente pelo Departamento do Trabalho americano. O relatório de dezembro mostrou que a economia americana criou 145 mil novos empregos, número abaixo das expectativas do mercado que eram de 160 mil.
Apesar dessa queda na criação de empregos, o relatório trouxe outros dados positivos. A taxa de desemprego permaneceu em 3,5%, a mais baixa em 50 anos, e os salários aumentaram em 2,9%, acima da inflação. Isso mostra que o mercado de trabalho nos Estados Unidos continua forte e estável.
No entanto, o relatório também trouxe alguns sinais de alerta em relação à economia americana. A indústria de manufatura, por exemplo, perdeu 12 mil empregos em dezembro, o que pode ser um reflexo da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. Além disso, os dados de novembro foram revisados para baixo, mostrando que apenas 256 mil empregos foram criados, ao invés dos 266 mil divulgados anteriormente.
Diante desses dados, os investidores e analistas ficaram em dúvida sobre qual será a decisão do Fomc em relação à taxa de juros. No final de 2019, o Federal Reserve (Fed) cortou os juros três vezes, totalizando uma redução de 0,75 ponto percentual. No entanto, os últimos dados econômicos mostram uma economia americana estável e sem grandes riscos de recessão. Isso levou alguns integrantes do Fomc a sugerirem que o Fed pode “pular” a próxima reunião, que acontece em janeiro, e manter os juros inalterados.
Essa possibilidade foi reforçada pelo presidente do Fed de Dallas, Robert Kaplan, que afirmou que o próximo encontro do Fomc será um momento para “esperar e ver” antes de tomar alguma decisão. Kaplan ressaltou que é importante analisar os dados econômicos e ter uma visão clara sobre as perspectivas para o futuro antes de realizar outro corte de juros.
Essa posição mais cautelosa do Fed é fruto da pressão do presidente americano Donald Trump, que tem pedido insistentemente por mais cortes de juros para estimular a economia. No entanto, o presidente do Fed, Jerome Powell, tem enfatizado que o banco central age de forma independente e que suas decisões são baseadas nos dados econômicos e não em pressões políticas.
Para os investidores, essa posição mais cautelosa do Fomc é positiva pois indica que o banco central está agindo com prudência e responsabilidade em relação à política monetária do país. Além disso, isso traz mais estabilidade e previsibilidade ao mercado, o que é importante para a tomada de decisão dos investidores.
Outro fator que contribui para essa posição mais confortável do Fomc é o acordo comercial entre Estados Unidos e China, que foi assinado nesta semana. O acordo prevê o fim de tarifas e uma maior abertura do mercado chinês para produtos americanos. Isso traz mais segurança e alívio para os investidores, que estavam preocupados com os impactos da guerra comercial na economia global.
Diante desse cenário, é importante que os investidores e analistas mantenham a cautela e aguardem os próximos dados





