O impacto das alterações climáticas e a perda de natureza nas comunidades e no meio ambiente não é mais uma preocupação distante, mas uma realidade cada vez mais presente em nossas vidas. Além de afetar diretamente a nossa saúde e bem-estar, essas mudanças também têm um impacto significativo no sistema segurador. Um recente relatório publicado pela comunidade global de seguradoras destaca a forma como esses fatores estão enfraquecendo as bases do setor, aumentando a exposição de ativos e comunidades a riscos extremos e, ao mesmo tempo, degradando as “barreiras naturais” que protegem contra esses eventos.
O relatório, intitulado “Alterações Climáticas e Perda de Natureza: Como Riscos e Soluções estão se Entrelaçando”, foi lançado durante uma conferência de seguros realizada em Madri, na Espanha. Ele foi elaborado a partir da colaboração de mais de 50 organizações globais do setor e apresenta uma análise preocupante, mas necessária, sobre o impacto dessas questões no mundo dos seguros.
Os números apresentados pela publicação são alarmantes e levantam uma importante discussão sobre o papel das seguradoras na prevenção e adaptação aos efeitos das mudanças climáticas e da perda de natureza. De acordo com o relatório, desde 1980, os desastres naturais custaram cerca de 3,5 trilhões de dólares em danos segurados. Além disso, os últimos 10 anos apresentaram os maiores prejuízos segurados em desastres naturais da história.
Isso é uma evidência clara de que o aumento frequente e intenso de eventos climáticos extremos está colocando em risco a estabilidade do setor segurador. E esse impacto vai muito além dos números, afetando diretamente as comunidades e regiões afetadas por esses desastres. As tempestades, cheias, secas, incêndios e ondas de calor têm um impacto devastador, causando perdas materiais e humanas, interrupção de serviços e danos irreparáveis no meio ambiente.
Uma das preocupações levantadas pelo relatório é a degradação das “barreiras naturais”, como florestas e zonas húmidas, que funcionam como proteção e amortecimento do risco. Com a perda e degradação dessas áreas, os eventos climáticos extremos têm um impacto ainda maior, causando prejuízos que podem ser evitados ou minimizados. Essas barreiras naturais também são importantes aliadas na absorção de CO2, um dos principais gases de efeito estufa responsáveis pelas mudanças climáticas.
Mas nem tudo é desanimador nesse relatório. Ele também destaca a crescente conscientização e adoção de medidas de prevenção e gestão de riscos por parte das seguradoras. Como atores chave no mercado financeiro global, essas empresas têm um importante papel na tomada de decisões que impactam diretamente o nosso planeta e a nossa segurança.
Cada vez mais, as seguradoras têm investido em iniciativas de sustentabilidade e responsabilidade ambiental, além de oferecerem produtos que incentivam a adoção de práticas sustentáveis por parte de seus clientes. Além disso, elas também têm um papel fundamental na divulgação e conscientização sobre os riscos e impactos das mudanças climáticas e do desmatamento.
O relatório também destaca a importância da parceria entre seguradoras e governos para o desenvolvimento de políticas que promovam a sustentabilidade e a prevenção de desastres. É necessário que haja uma colaboração ativa e contínua entre esses dois atores para que medidas efetivas possam ser implementadas e o impacto das mudanças climáticas

