A participação cívica é um dos pilares fundamentais de qualquer democracia. É através do voto que os cidadãos exercem o seu direito de escolha e contribuem para a construção de um país mais justo e igualitário. No entanto, nas últimas décadas, temos assistido a uma tendência preocupante: a taxa de abstenção tem vindo a aumentar nas eleições legislativas em Portugal. Felizmente, nas duas últimas eleições, essa tendência foi invertida, com uma redução significativa na taxa de abstenção. Em 2019, alcançou-se o valor mais baixo desde 1975, com uma participação de 51,43%. Este é um sinal positivo de que os portugueses estão cada vez mais conscientes da importância do seu papel na sociedade e da necessidade de participar ativamente no processo democrático.
Durante décadas, a taxa de abstenção tem sido motivo de preocupação para os políticos e para a sociedade em geral. O aumento constante desta taxa é um reflexo da desilusão e desinteresse dos cidadãos em relação à política e aos políticos. Muitos portugueses sentem que o seu voto não faz diferença e que os políticos não cumprem as suas promessas eleitorais. Além disso, a falta de confiança nas instituições e a descrença na capacidade dos governantes em resolver os problemas do país também contribuem para a abstenção.
No entanto, nas últimas eleições legislativas, assistimos a uma mudança de atitude por parte dos eleitores. A taxa de abstenção baixou significativamente, o que demonstra que os portugueses estão a recuperar a confiança na política e a perceber que o seu voto é importante para a construção de um país melhor. Esta mudança de comportamento é um sinal de maturidade democrática e de que os cidadãos estão a assumir a sua responsabilidade na construção do futuro do país.
Mas o que levou a esta redução na taxa de abstenção? Vários fatores podem ser apontados, mas um dos mais relevantes é o aumento da informação e da consciência política da população. Com o acesso à internet e às redes sociais, os cidadãos têm agora mais facilidade em aceder a informação sobre os programas eleitorais e os candidatos. Além disso, a sociedade civil tem desempenhado um papel importante na sensibilização dos eleitores para a importância do voto e da participação cívica.
Outro fator que contribuiu para a redução da abstenção foi a realização de debates televisivos entre os líderes dos principais partidos políticos. Estes debates são uma oportunidade para os eleitores conhecerem melhor as propostas e ideias dos candidatos e, assim, tomarem uma decisão informada no momento de votar. Além disso, a realização de campanhas eleitorais mais próximas dos cidadãos, com a presença dos candidatos em eventos e iniciativas locais, também contribuiu para uma maior aproximação entre os políticos e os eleitores.
É importante destacar que a redução da taxa de abstenção não é apenas um sinal de maior participação cívica, mas também de uma maior diversidade política. Nas últimas eleições, assistimos a um aumento do número de partidos com representação parlamentar, o que demonstra que os eleitores estão a diversificar as suas escolhas e a procurar alternativas aos partidos tradicionais. Esta diversidade é fundamental para uma democracia saudável e pluralista.
No entanto, apesar da redução da abstenção, ainda há muito a ser feito para aumentar a participação cívica dos portugueses. É necessário continuar a promover a educação cívica nas escolas e a incentivar a participação dos



