O Governo mostra “a maior das perplexidades” em face da situação dada a conhecer hoje pelo Global Media Group de que os salários referentes a dezembro não vão ser pagos em tempo útil e que, de resto, não sabe até quando ficarão em falta.
O executivo sublinha, num comunicado enviado esta quinta-feira às redações, que “após a entrada de um novo acionista num grupo (…), não é crível” o cenário que foi apresentado pelos investidores, de que não teriam conhecimento das “circunstâncias financeiras do grupo em que decidiram investir”, pode ler-se no documento. É hoje público que as circunstâncias em causa são de profundas dificuldades.
O Governo recorda o processo negocial que visava o assumir de “uma posição mais significativa na estrutura acionista da Agência Lusa” por parte do Estado, com o propósito de “preservar a autonomia desta agência e o seu papel na defesa do jornalismo”. Um processo que teve início mas não se concretizou, já que ficou inviabilizado pela falta de acordo com o maior partido da oposição, o PSD.
O Governo salienta que os trabalhadores vivem as dificuldades “mais graves” e lamenta o “empobrecimento do pluralismo informativo, que comporta sérios riscos para a democracia”.
No mesmo comunicado, faz-se saber que o ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, escreveu uma carta à Entidade Reguladora, “indagando sobre as consequências da crise deste grupo de comunicação social para o pluralismo da informação em Portugal”, já que a Global Media é detentora de “um conjunto de títulos fundamentais para assegurar a diversidade da oferta mediática, quer do ponto de vista da informação de proximidade, quer à escala nacional”.
O executivo alerta ainda que o grupo deve “assegurar o pagamento dos salários devidos” e sublinha que, “no limite”, podem ser desencadeados “os mecanismos necessários para que o Fundo de Garantia Salarial seja acionado”.





