Nos últimos anos, o Brasil tem enfrentado uma série de desafios políticos e econômicos que têm afetado diretamente a população. Entre esses desafios, um dos mais preocupantes é a inflação de alimentos, que tem impactado não apenas o bolso dos brasileiros, mas também a aprovação do governo. De acordo com Felipe Nunes, sócio-fundador da Quaest Pesquisa e Consultoria, esse índice é fundamental para compreender a evolução da aprovação política no país.
Em seu livro “O Brasil não é para principiantes”, o economista Edmar Bacha cunhou a frase “É a economia, estúpido”, para explicar como a situação econômica de um país pode influenciar diretamente a política. No Brasil, podemos adaptar essa frase para “É supermercado, estúpido”, já que a inflação de alimentos tem sido um fator determinante na aprovação do governo.
Para entender melhor essa relação, é importante analisar alguns números. Segundo dados do IBGE, a inflação acumulada dos alimentos nos últimos 12 meses chegou a 18,6%, sendo o grupo de produtos que mais contribuiu para a alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Além disso, a cesta básica teve um aumento de 20,7% no mesmo período, o que tem impactado diretamente o orçamento das famílias brasileiras.
De acordo com Nunes, essa alta nos preços dos alimentos tem um impacto direto na aprovação do governo, já que afeta diretamente o dia a dia das pessoas. Quando o custo de vida aumenta, as famílias precisam apertar o orçamento e muitas vezes precisam cortar gastos essenciais, como alimentação, para conseguir pagar as contas. Isso gera um sentimento de insatisfação e revolta, que pode se refletir nas pesquisas de aprovação política.
Além disso, a inflação de alimentos também afeta a percepção da população sobre a economia do país. Quando os preços sobem, as pessoas tendem a acreditar que a situação econômica do país não está boa, mesmo que isso não seja necessariamente verdade. Essa percepção pode influenciar diretamente a avaliação do governo e, consequentemente, a sua aprovação.
Outro ponto importante destacado por Nunes é que a inflação de alimentos tem um peso maior para as classes mais baixas, que gastam uma porcentagem maior de suas rendas com alimentos. Isso significa que, quanto mais baixa a renda, maior é o impacto da inflação no orçamento das famílias. Essa parcela da população também costuma ser mais sensível a variações nos preços e pode ser mais afetada pela alta dos alimentos.
Ainda segundo o sócio-fundador da Quaest, a relação entre inflação de alimentos e aprovação política é ainda mais forte em momentos de crise, como o que estamos vivendo atualmente. Com a pandemia do coronavírus e suas consequências econômicas, a alta nos preços dos alimentos tem sido ainda mais impactante para a população. Isso pode ser visto nas pesquisas de aprovação do governo, que apresentaram queda nos últimos meses.
É importante ressaltar que a inflação de alimentos não é o único fator que influencia a aprovação política. Outros aspectos, como a situação da saúde, a segurança pública e a geração de empregos, também são levados em consideração pela população na hora de avaliar o governo. No entanto, a inflação de alimentos tem um peso significativo nessa equação e não pode ser ignorada.
Para Nunes, entender a relação entre inflação de alimentos e aprovação política é fundamental para que o governo possa tomar medidas eficazes para combater esse problema. É preciso que o governo se preocupe não apenas com o controle da inflação, mas também





