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Aumento de isenção do IR: câmbio, endividamento e capacidade ociosa entram no debate

em Habitação
Tempo de leitura: 3 mins read
Aumento de isenção do IR: câmbio, endividamento e capacidade ociosa entram no debate

Nos últimos meses, a discussão sobre o aumento da isenção do Imposto de Renda tem ganhado cada vez mais destaque na mídia e na sociedade. Enquanto alguns defendem a medida como uma forma de aliviar a carga tributária sobre as famílias, outros alertam para os possíveis impactos negativos na economia. Segundo economistas, há pelo menos três bons motivos para assegurar que a questão é muito mais complexa do que parece: câmbio apreciado, elevado endividamento das famílias e capacidade ociosa da indústria.

O primeiro ponto a ser considerado é o câmbio apreciado. Com a valorização do real frente ao dólar, os produtos importados se tornam mais baratos e atraentes para os consumidores brasileiros. Isso pode gerar uma queda na demanda por produtos nacionais, prejudicando a indústria nacional e, consequentemente, a geração de empregos. Além disso, a valorização do real também pode afetar as exportações, uma vez que os produtos brasileiros ficam mais caros para os compradores estrangeiros.

Outro fator importante a ser considerado é o elevado endividamento das famílias brasileiras. De acordo com dados do Banco Central, a dívida das famílias em relação à renda atingiu o patamar de 47,4% em dezembro de 2020. Isso significa que quase metade da renda das famílias está comprometida com o pagamento de dívidas. Com o aumento da isenção do Imposto de Renda, muitas famílias podem ser incentivadas a aumentar ainda mais o seu endividamento, o que pode gerar uma bolha de consumo insustentável no futuro.

Por fim, a capacidade ociosa da indústria é outro fator que deve ser levado em conta. Com a economia ainda se recuperando dos impactos da pandemia, muitas empresas estão operando abaixo da sua capacidade máxima. Isso significa que, mesmo com uma demanda maior por produtos, as empresas não teriam condições de aumentar a produção de forma imediata. Isso pode gerar um desequilíbrio entre oferta e demanda, levando a um aumento nos preços e, consequentemente, à inflação.

Diante desses três fatores, fica claro que o aumento da isenção do Imposto de Renda não é uma medida simples e que pode trazer consequências negativas para a economia. No entanto, isso não significa que a discussão deva ser descartada. Pelo contrário, é importante que o debate seja feito de forma responsável e levando em conta todos os aspectos envolvidos.

Uma das principais preocupações dos defensores do aumento da isenção do Imposto de Renda é a injustiça tributária. Atualmente, a tabela do Imposto de Renda não é corrigida pela inflação, o que faz com que muitos trabalhadores que antes não eram obrigados a pagar o imposto, agora estejam enquadrados na faixa de isenção. Isso significa que, na prática, esses trabalhadores estão pagando mais impostos do que deveriam.

Além disso, é importante lembrar que o Imposto de Renda é um tributo progressivo, ou seja, quem ganha mais, paga mais. Portanto, aumentar a isenção não significa que os mais ricos deixarão de pagar impostos. Eles continuarão pagando, mas em uma alíquota maior, de acordo com a sua renda.

Outro argumento a favor do aumento da isenção é o estímulo ao consumo. Com mais dinheiro no bolso, as famílias tendem a consumir mais, o que pode aquecer a economia e gerar empregos. No entanto, como já mencionado, é preciso ter cuidado para não criar uma bolha de consumo insustentável no futuro.

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