Sergio Florencio, ex-secretário em Teerã, compartilha sua visão sobre os protestos recorrentes na sociedade iraniana desde a revolução de 1979. Segundo ele, esses protestos seguem um padrão e, infelizmente, acabam sempre fracassando. Mas o que leva a essa repetição de fracassos e qual é o impacto disso na população iraniana?
Para entender melhor essa situação, é preciso voltar no tempo e relembrar a revolução de 1979, que derrubou o regime do xá Mohammad Reza Pahlavi e instaurou a República Islâmica no Irã. Esse acontecimento trouxe mudanças significativas para o país, mas também gerou uma grande polarização política e social. Desde então, os protestos têm sido uma forma de expressão e luta da população iraniana.
De acordo com Sergio Florencio, os protestos no Irã seguem um padrão que pode ser observado em diversos aspectos. Primeiramente, a maioria deles é iniciada por jovens, que representam uma parcela significativa da população iraniana. Esses jovens, muitas vezes, são estudantes universitários que possuem acesso a informações e tecnologias, o que os torna mais conscientes e engajados nas questões políticas e sociais do país.
Além disso, os protestos geralmente são desencadeados por algum evento específico, como aumento de preços, desemprego, corrupção ou violação de direitos humanos. Essas questões são recorrentes no Irã e afetam diretamente a vida da população, principalmente das camadas mais pobres. Por isso, é comum que os protestos tenham um forte apelo popular e sejam apoiados por diferentes grupos sociais.
No entanto, apesar de terem um grande número de participantes e um forte apoio popular, os protestos no Irã acabam sempre fracassando. Segundo Florencio, isso acontece por diversos motivos. Um deles é a repressão do governo, que utiliza forças policiais e militares para conter os manifestantes, muitas vezes com violência. Além disso, o regime iraniano possui um sistema de controle e vigilância muito forte, o que dificulta a organização e a continuidade dos protestos.
Outro fator que contribui para o fracasso dos protestos é a falta de liderança e unidade entre os manifestantes. Muitas vezes, os grupos que organizam os protestos possuem diferentes ideologias e interesses, o que acaba gerando conflitos internos e enfraquecendo o movimento como um todo. Além disso, a falta de uma liderança clara e forte também dificulta a negociação com o governo e a busca por soluções efetivas para os problemas enfrentados pela população.
Diante desse cenário, é compreensível que a população iraniana se sinta desanimada e descrente em relação aos protestos. Afinal, a repetição de fracassos acaba gerando um sentimento de impotência e desesperança. No entanto, é importante ressaltar que os protestos são uma forma legítima de expressão e luta por direitos e mudanças sociais. Mesmo que não tenham obtido sucesso até o momento, eles continuam sendo uma ferramenta importante para a população iraniana se manifestar e buscar melhorias para sua realidade.
Além disso, é preciso destacar que os protestos no Irã têm um impacto significativo na sociedade, mesmo que não resultem em mudanças imediatas. Eles colocam em pauta questões importantes e mostram que a população está atenta e disposta a lutar por seus direitos. Além disso, os protestos também têm um papel fundamental na conscientização e mobilização da população, que pode se unir e se fortale





