Cury defende sistema parlamentarista com primeiro-ministro

Candidato propõe transformação do sistema político brasileiro
Augusto Cury, candidato à Presidência da República pelo partido Avante, apresentou durante entrevista concedida nesta segunda-feira uma proposta que defende a adoção de um sistema parlamentarista Brasil em substituição ao atual modelo presidencialista. De acordo com o candidato, a mudança seria essencial para modernizar a gestão pública e distribuir melhor as responsabilidades governamentais.
Crítica ao presidencialismo concentrador
Na entrevista ao Portal Metrópoles, Cury argumentou que o sistema presidencialista atual concentra demasiado poder nas mãos de uma única pessoa. "Não dá mais para termos um país presidencialista, onde o presidente é o superpresidente. Ele interfere em todas as áreas: economia, política externa e milhares de problemas para ser resolvido no dia-a-dia", afirmou o candidato.
Segundo Cury, nações que alcançaram desenvolvimento econômico e social significativo adotaram modelos alternativos ao presidencialismo puro. "Todos os países que se desenvolveram ou foram semipresidencialistas, com um presidente como chefe de Estado e um primeiro-ministro, ou parlamentaristas de fato", destacou, sugerindo que essa seria uma estratégia comprovada internacionalmente.
Sugestão de Tarcísio de Freitas para primeiro-ministro
Ao elaborar sua proposta de sistema parlamentarista Brasil, Cury mencionou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como exemplo do perfil adequado para exercer a função de primeiro-ministro. "Eu gosto muito do Tarcísio e acho que deveria ter alguém no nível dele para ser um primeiro-ministro. E o presidente nos estratégicos, forças armadas e políticas externas", declarou.
O candidato acredita que essa divisão de responsabilidades resultaria em um Brasil mais moderno e eficiente. "Assim, certamente, o Brasil será um país muito mais moderno", complementou Cury durante a entrevista.
Resposta ao questionamento sobre articulação política
As declarações ocorreram após Augusto Cury presidente ser questionado sobre como conseguiria aprovar medidas legislativas no Congresso, considerando que seu partido conta com apenas cinco deputados federais e um senador, demonstrando baixa representatividade parlamentar.
Para o candidato, o Brasil já funciona, na prática, como um sistema parlamentarista, embora não formalmente. "Nós já somos um país parlamentarista de fato, mas não de direito. O parlamento já tem muito poder", ressaltou Cury, adicionando que institucionalizar essa realidade seria mais honesto e transparente.
Delegação de responsabilidades orçamentárias
A proposta de Tarcísio de Freitas para primeiro-ministro incluiria a responsabilidade sobre a administração do orçamento federal. Cury argumentou que, atualmente, o Congresso já participa decisivamente da alocação de recursos públicos através das emendas parlamentares.
"Nós já somos um país parlamentarista de fato, mas não de direito. O parlamento já tem muito poder. Se ele já tem muito poder, então, que ele possa também ter a responsabilidade de chancelar um primeiro-ministro", afirmou o candidato à presidência.
O primeiro-ministro, segundo a visão de Cury, seria responsável pela gestão administrativa com indicadores de eficiência. "Um primeiro-ministro que vai dirigir essa nação com maestria, com gestão notável, com alta capacidade e que tem um coração social", descreveu o perfil desejado para o cargo.
Vantagens da instabilidade institucional controlada
Cury destacou uma vantagem importante do sistema parlamentarista: a possibilidade de remoção de um primeiro-ministro ineficiente ou corrupto sem traumas institucionais. "Se um primeiro-ministro for impopular, corrupto ou ineficiente, ele é destituído, sem traumas para a nação, como ocorreu quando os presidentes sofreram impeachment", comparou.
Essa flexibilidade seria particularmente valiosa para garantir qualidade na campanha presidencial e nas promessas feitas ao eleitorado, pois permitiria mudanças mais rápidas sem processos desgastantes como o impeachment.
Perspectivas de pacto nacional
Além das propostas estruturais sobre o sistema de governo, Cury também manifestou intenção de firmar um grande pacto nacional caso vencesse a disputa eleitoral. O candidato indicou disposição de ouvir outros agentes políticos e adversários na campanha presidencial, incluindo Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).
Essa abertura ao diálogo sugere uma abordagem colaborativa à reforma governamental, buscando consenso sobre mudanças estruturais no sistema político brasileiro para além de considerações eleitorais imediatas.



