Data centers no Brasil: oportunidade ou risco ambiental?

A estratégia brasileira para atrair data centers
Os principais candidatos à Presidência do Brasil defendem políticas para atrair mais data centers ao país como forma de impulsionar o desenvolvimento tecnológico e a inteligência artificial. O data center no Brasil representa uma oportunidade estratégica para reduzir o déficit comercial em serviços de computação e informação, que chegou a US$ 8 bilhões em 2025, segundo dados da Brasscom, associação de empresas brasileiras de tecnologia.
As propostas incluem incentivos fiscais, fabricação local de componentes eletrônicos e desenvolvimento de modelos brasileiros de inteligência artificial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou em setembro o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), que zera impostos de importação de equipamentos utilizados nessas instalações.
O que é um data center
Um data center, ou centro de dados, é um local que armazena e processa informações através de servidores especializados. Existem diferentes modelos, como os de nuvem (cloud), utilizados para armazenar arquivos e operar serviços na internet, e os de inteligência artificial, responsáveis pelo treinamento de modelos de linguagem complexos, similares aos utilizados em plataformas como ChatGPT e Gemini.
Por que o Brasil quer atrair data centers enquanto EUA enfrentam rejeição
Enquanto o Brasil busca atrair essas instalações, os Estados Unidos enfrentam crescente rejeição da população. De acordo com pesquisa Reuters/Ipsos, 64% dos americanos discordam que construir data centers rapidamente será positivo para o país, e 57% são contrários à criação desses complexos em seus bairros.
A disparidade ocorre principalmente pela diferença no tamanho dos mercados e nas matrizes energéticas. Os EUA possuem mais de 4.700 data centers e lideram o segmento globalmente, segundo dados do Data Center Map. O Brasil, por sua vez, conta com apenas 218 complexos desse tipo, ocupando o 12º lugar no ranking mundial. Com menos instalações, o país precisa armazenar e processar dados no exterior, gerando perdas econômicas significativas.
A vantagem energética brasileira
Uma diferença crucial está na matriz energética. Enquanto os EUA dependem principalmente de energia gerada por combustíveis fósseis, incluindo petróleo e gás natural, a eletricidade no Brasil é produzida em larga escala por fontes renováveis, como usinas hidrelétricas, eólicas e solares. Essa característica reduz os impactos ambientais associados à expansão de data centers.
As propostas dos candidatos
O presidente Lula (PT) defende o fomento a empresas brasileiras de inteligência artificial e a criação de versões nacionais de modelos de linguagem. O candidato Flávio Bolsonaro (PL) propõe reduzir impostos sobre energia para data centers e conectar essa demanda à exploração nacional de minerais críticos utilizados na fabricação de chips de inteligência artificial.
Ronaldo Caiado (PSD) inclui data centers como parte de uma cadeia de inovação, conectando-os ao desenvolvimento de semicondutores e modelos de linguagem brasileiros. Renan Santos (Missão) propõe transformar o Brasil no maior exportador de processamento de dados para modelos de IA e criar zonas com regime tributário específico para o setor. Romeu Zema (Novo) defende a criação de um ambiente regulatório estável para garantir segurança jurídica às empresas.
O Redata: principais características
O Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center exige que as empresas beneficiadas utilizem apenas energia renovável ou de baixo carbono e gastem no máximo 50 mililitros de água por quilowatt-hora. Além disso, as empresas devem destinar 10% da capacidade para o mercado brasileiro e investir 2% do valor dos equipamentos em pesquisa no país.
Especialistas destacam que ainda há pontos a serem regulamentados no Redata, especialmente a definição precisa do que constitui




