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Disco inédito de Paulo André Barata resurge após 40 anos

Disco inédito de Paulo André Barata resurge após 40 anos
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Ressurreição musical: disco guardado por quatro décadas chega ao público

O disco inédito de Paulo André Barata finalmente ganhou o público após permanecer guardado durante quase 40 anos. A obra, intitulada "Na Correnteza", foi lançada em Belém e reúne composições memoráveis do artista paraense falecido há três anos. O lançamento ocorre em momento especial: a sexta-feira (25) marcaria o octogésimo aniversário do compositor, que deixou legado profundo na música amazônica.

O disco inédito de Paulo André Barata contém dez faixas que nunca haviam sido divulgadas amplamente, resultado de parcerias com grandes nomes da cena cultural paraense. Algumas dessas canções integram o repertório de um show tributo que celebra a obra do artista desaparecido, trazendo à vida musical da região esse tesouro sonoro que permanecia adormecido há décadas.

Uma cópia preservada como herança familiar

A história dessa recuperação começa com uma amizade profunda e duradoura. O jornalista Edgar Proença, amigo pessoal de Paulo André Barata, guardou a única cópia em fita cassete durante quase quatro décadas. A gravação, feita em 1987, permanecia armazenada em sua residência enquanto o mundo desconhecia essas preciosidades musicais.

A última faixa do álbum, "Izabela", carrega significado especial na trajetória de Edgar. A composição foi uma homenagem à sua sobrinha, fruto da parceria entre Edyr Proença, pai de Edgar, e Paulo André Barata. Segundo os relatos, o compositor visitava frequentemente Mosqueiro para tocar violão nos pátios das casas, criando momentos memoráveis que resultavam em parcerias musicais autênticas.

O disco foi originalmente produzido em 1987 por Tito Barata, irmão jornalista de Paulo André, mas nunca foi lançado oficialmente devido à falta de investimento das gravadoras da época. A fita master original desapareceu durante os anos, deixando apenas a cópia que Edgar preservava cuidadosamente.

Processo de restauração e digitalização

Para transformar a fita cassete antiga em um produto de qualidade adequada para consumo contemporâneo, o material passou por etapas rigorosas de tratamento. Em Belém, os artistas Léo Bitar e o produtor musical Ziza Padilha realizaram a limpeza e digitalização das gravações originais. Posteriormente, Artur Luna, trabalho no Rio de Janeiro, efetuou a remasterização profissional da obra.

Léo Bitar relata sua surpresa ao testar a fita em diferentes equipamentos. "Quando toquei a fita o som era fantástico! A qualidade sonora é incrível, um disco que realmente é uma pérola na obra do Paulo André," afirma o artista responsável pelo tratamento técnico. A conservação cuidadosa realizada por Edgar durante décadas garantiu a excelência sonora do material original.

Ziza Padilha destaca a importância de manter fidelidade ao som da época durante o processo de remasterização. "Respeitar o som da época também é importante para que isso chegue no ouvido de quem vai consumir. Essa obra foi feita por um baita compositor com grandes poetas," enfatiza o produtor, evidenciando o comprometimento em preservar a integridade artística do projeto.

Colaborações notáveis e composições memoráveis

O álbum "Na Correnteza" reúne composições de Paulo André com artistas respeitados da cena cultural paraense. A maioria das dez faixas foi escrita em parceria com seu pai, o poeta Ruy Barata, estabelecendo um diálogo criativo entre gerações que marcou a história da música do Estado.

Entre as colaborações estão composições com Paes Loureiro, Alfredo Oliveira e Edyr Proença. Destaca-se a presença da primeira versão de "Porto Caribe", conhecida popularmente como "Eu sou de um país que se chama Pará", revelando aspectos inéditos de criações que se tornaram clássicas da música paraense.

As canções refletem a valorização da identidade amazônica, com referências aos rios, paisagens e manifestações culturais que caracterizaram a obra de Paulo André Barata ao longo de sua carreira artística.

Show tributo e disponibilidade da obra

O lançamento do disco inédito de Paulo André Barata coincide com um espetáculo especial que ocorrerá no Teatro Margarida Schivasappa, às 20h30 da sexta-feira (25). O show tributo reúne vinte intérpretes que se revezam no palco para celebrar a obra multifacetada do compositor, arranjador e instrumentista falecido.

O álbum está disponível nas principais plataformas digitais de streaming musical, bem como em versão CD físico. O lançamento foi realizado pelo selo Na Music, permitindo que o público tenha acesso a essa obra mediante diferentes formatos de consumo.

Paulo André Barata: legado e reconhecimento

Paulo André Barata faleceu em 25 de setembro de 2023, completando 77 anos. O compositor paraense construiu carreira marcada pela valorização da identidade cultural amazônica, deixando influência profunda na música do Estado através de composições memoráveis.

Canções como "Pauapixuna", "Foi Assim" e "Este Rio é Minha Rua" foram eternizadas na interpretação de Fafá de Belém, artista que ajudou a disseminar a obra do compositor para além das fronteiras estaduais. Em 2025, sua obra recebeu reconhecimento oficial como patrimônio cultural e artístico de natureza imaterial do Estado do Pará, pela Lei nº 11.098, aprovada unanimemente na Assembleia Legislativa.

O lançamento do disco inédito de Paulo André Barata representa não apenas a recuperação de material histórico perdido, mas também um tributo apropriado a um artista cuja contribuição para a cultura amazônica permanece relevante e inspiradora para novas gerações de músicos e apreciadores da arte paraense.

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