DNA e rastreamento revelam autores de roubo de Renoir na França

DNA e tecnologia desvendam roubo de Renoir na França
Investigadores franceses utilizaram análise de DNA e rastreamento de veículos para solucionar o roubo de Renoir na França, ocorrido em setembro no Museu Renoir, localizado em Cagnes-sur-Mer, na Riviera Francesa. O trabalho investigativo resultou na recuperação de duas obras-primas do pintor impressionista Pierre-Auguste Renoir e na identificação de preparativos para um novo crime contra o patrimônio artístico. Quatro homens foram indiciados preliminarmente, enfrentando acusações de roubo organizado e associação criminosa, conforme informou o promotor de Marselha Nicolas Bessone.
O crime que chocou o patrimônio cultural francês
No dia 8 de setembro, criminosos invadiram o museu utilizando uma serra elétrica para cortar a cerca de proteção. Entraram pelo térreo e desativaram os sistemas de segurança que fixavam as molduras de quatro pinturas. Um alarme acionou a resposta policial em apenas quatro minutos, o que aparentemente provocou pânico nos autores do roubo de Renoir na França. Diante da rápida chegada da polícia, os ladrões conseguiram levar apenas duas das quatro obras, abandonando as demais em uma capa protetora durante sua fuga.
As duas pinturas recuperadas foram identificadas como "Retrato de Madame Colonna Romano", que sofreu um rasgo significativo, e "Jovem no Poço", que apresentou pequenos danos na moldura. O valor estimado das duas obras alcança 4,2 milhões de euros, equivalente a aproximadamente R$ 25,3 milhões.
DNA: a evidência que resolveu o caso
A análise forense transformou-se na ferramenta decisiva para desvendar o crime. O DNA encontrado na capa protetora abandonada correspondia a um homem de 29 anos que já era alvo de investigações em outro caso de tráfico de drogas. A polícia mantinha rastreamento contínuo do veículo desse suspeito em decorrência daquela investigação anterior. Esse acompanhamento eletrônico provou-se fundamental para o progresso das investigações sobre o roubo de Renoir na França.
Os dados de rastreamento de veículos revelaram que o suspeito de 29 anos, acompanhado por um homem de 41 anos, dirigiu-se à residência de um terceiro suspeito logo após o roubo do museu. Essa informação técnica forneceu aos investigadores a confirmação necessária para estabelecer a conexão entre os indivíduos e o crime.
Suspeita de novo roubo interrompe trama criminosa
A vigilância policial continuada produziu resultados ainda mais preocupantes. Em 3 de outubro, o homem de 29 anos visitou a Fundação Maeght, em Saint-Paul-de-Vence, instituição que abriga uma expressiva coleção de arte moderna. Posterior a essa visitação, reuniu-se com um quarto homem identificado pela polícia por envolvimento em casos de roubo e falsificação de obras de arte nos anos 2001 e 2003. As autoridades agiram rapidamente, fundamentando as prisões na "fortíssima suspeita de que outro roubo era iminente".
Confissões parciais revelam detalhes do esconderijo
Os dois homens diretamente acusados de executar o roubo no museu foram indiciados preliminarmente por roubo perpetrado por grupo organizado, associação criminosa e outras acusações correlatas. Ambos permaneceram presos durante as investigações, mantendo negação total das irregularidades, segundo declarações do promotor Bessone.
O terceiro suspeito, porém, reconheceu haver recebido as pinturas em sua residência e as ter escondido em um local engenhoso: atrás de uma parede construída sob uma escada. Esse depoimento facilitou decisivamente a recuperação das obras de Renoir pelos investigadores. Já o quarto suspeito admitiu ter visualizado fotografias das obras, porém alegou não as ter reconhecido imediatamente. Este e o terceiro suspeito foram indiciados preliminarmente por receptação das pinturas roubadas. Ambos foram libertados sob supervisão judicial, ficando proibidos de deixar o território francês.
Duas outras pessoas que foram presas inicialmente foram liberadas sem sofrer acusação alguma.
Segurança em museus franceses sob escrutínio
O Museu Renoir representa a última residência do renomado pintor impressionista francês Pierre-Auguste Renoir, que ali viveu até sua morte em 1919. Constitui-se na principal atração turística de Cagnes-sur-Mer, município litorâneo localizado entre Cannes e Nice na costa mediterrânea francesa.
O incidente reacendeu preocupações já existentes sobre a segurança do patrimônio artístico francês, trazendo à memória o espetacular roubo das joias da coroa do Museu do Louvre, em Paris, ocorrido no ano anterior. Essas ocorrências intensificaram os clamores por investimento em segurança aprimorada e aumento de financiamento para os diversos locais culturais da nação.
Christian Sainte, diretor nacional da polícia judiciária francesa, afirmou em comunicado que a França "é repetidamente alvo de grupos criminosos organizados que executam operações de roubo de objetos de valor integrantes de nosso patrimônio cultural" em museus, castelos, templos religiosos, propriedades particulares e galerias. Os dados estatísticos revelam 23 casos registrados em museus franceses durante 2025, demonstrando a persistência dessa problemática.




