Relatório 365 Dias

EUA e Irã firmam acordo para cessar hostilidades

EUA e Irã firmam acordo para cessar hostilidades
Fonte: g1.globo.com/mundo/noticia/2026/06/28/eua-e-ira-entram-em-acordo-para-interromper-ataques-e-retomar-dialogo-apos-acoes-militares.ghtml

Acordo entre EUA e Irã marca novo rumo nas negociações

Em desenvolvimento que representa possível ponto de inflexão na crise regional, Estados Unidos e Irã firmaram acordo para cessar hostilidades recentes no Golfo Pérsico, conforme informou agência de notícias neste domingo (28). O pacto prevê retomada de conversas diplomáticas sobre disputas envolvendo o Estreito de Ormuz, principal rota de transporte de energia global.

O acordo entre EUA e Irã surge após sucessivos dias de ataques e contra-ataques que colocaram em risco um cessar-fogo provisório estabelecido em 17 de junho. Ambas as nações acusaram-se mutuamente de violar as condições do acordo anterior, escalando tensões na região.

Encontro de negociadores em Doha

Segundo informações obtidas de autoridade sênior americana, delegações das duas nações deverão se reunir na terça-feira (30) em Doha, Catar. A capital catariana foi escolhida como local neutro para discussões que buscam desescalar o conflito e estabelecer bases mais sólidas para negociações futuras.

Uma autoridade da Casa Branca, que solicitou anonimato, confirmou a interrupção dos ataques à agência Reuters, sinalizando comprometimento com o acordo recém-estabelecido. Este encontro representa momento crucial para avaliar possibilidades de resolução duradoura das divergências entre os dois países.

Contexto dos ataques anteriores

A escalada de violência teve origem na quinta-feira (25), quando projétil iraniano atingiu navio de carga que navegava pelo Estreito de Ormuz. O incidente reavivou acusações recíprocas de violação do acordo provisório, levando a série de retaliações que envolveu tanto o Irã quanto forças militares americanas.

No domingo pela manhã, a Guarda Revolucionária Islâmica iraniana lançou mísseis e drones contra instalações militares dos Estados Unidos localizadas no Kuwait e no Bahrein. A ação ocorreu poucas horas após o presidente Donald Trump ameaçar eliminar a liderança iraniana caso o país não cumprisse as condições do acordo para encerrar o conflito.

Em comunicado, Trump declarou nas redes sociais: "Pode chegar um momento em que não seremos mais capazes de agir com razoabilidade e seremos forçados a concluir militarmente a tarefa que iniciamos com tanto sucesso". O presidente complementou com ameaça ainda mais contundente: "Se isso acontecer, a República Islâmica do Irã deixará de existir!"

Resposta das defesas aéreas regionais

Os ataques iranianos desencadearam imediata ativação de sistemas de defesa na região. O Exército do Kuwait informou que suas defesas aéreas responderam aos ataques com mísseis e drones, enquanto o Bahrein relatou acionamento de alarmes de ataque aéreo.

Cerca de uma hora após as ameaças de Trump, Kuwait relatou interception de dois mísseis balísticos, sem registro de vítimas ou danos significativos. Já no Bahrein, segundo relatos, alarmes soaram pela segunda vez, com informações indicando dano a edifício residencial na província de Muharraq.

Uma autoridade dos EUA confirmou que Irã havia direcionado ataques para instalações americanas, mas informou que não havia relatos de baixas ou danos significativos a locais norte-americanos no Oriente Médio, ressalvando que a situação permanecia em desenvolvimento.

Declarações iranianas sobre violações

A Guarda Revolucionária Islâmica, em comunicado oficial, afirmou que operações com mísseis e drones foram resposta a violações do cessar-fogo pelos Estados Unidos. O comando naval da organização declarou que bases americanas na região "viverão um inferno nos próximos dias", sinalizando possível continuidade de ações militares.

Segundo transmissão da emissora estatal Press TV, a Guarda declarou que ataques norte-americanos resultariam "na interrupção completa de todos os processos diplomáticos", indicando potencial colapso das negociações em andamento.

Questões técnicas e condições do memorando

Em sinal adicional da fragilidade do pacto provisório, Irã cancelou conversas técnicas agendadas com os Estados Unidos para este domingo. A justificativa apresentada relacionou-se a ataques recentes ao país e ao não cumprimento de condições do Memorando de Entendimento entre as partes.

Membro do Gabinete de Preservação e Publicação das Obras do Líder Supremo do Irã, Mehdi Fazaeili, destacou preocupações específicas: "Por exemplo, uma das razões é verificar se temos acesso aos fundos descongelados; se não houver acesso, então essa condição não foi cumprida".

Negociações anteriores e suspensão de sanções

Rodada de negociações mediadas, liderada pelo vice-presidente americano JD Vance e pelo presidente do Parlamento iraniano Mohammad Baqer Qalibaf, havia sido realizada na Suíça há uma semana. Naquela ocasião, Washington suspendeu sanções contra Teerã como gesto de boa vontade nas negociações.

O acordo provisório de 14 pontos original tinha como objetivo interromper combates iniciados pelos EUA e Israel em 28 de fevereiro, bem como reabrir o Estreito de Ormuz enquanto prosseguiam conversas sobre questões como o programa nuclear iraniano.

Situação do Líbano no contexto regional

Paralelamente aos eventos envolvendo EUA e Irã, Israel afirmou no domingo que havia atacado novamente militantes do Hezbollah no Líbano, destruindo infraestrutura subterrânea utilizada pelo grupo apoiado pelo Irã em localidade no sul do país. A ação ocorreu após outro ataque no sábado (27), realizado logo após acordo de cessar-fogo com o Líbano.

O Irã condicionou manutenção do acordo mais amplo ao encerramento deste conflito específico, demonstrando interconexão entre diferentes frentes de confronto na região.

Impacto sobre rotas de transporte de energia

O Estreito de Ormuz, rota de transporte de energia mais importante do mundo, permanece central nas negociações. Durante a maior parte do conflito, Teerã manteve o estreito amplamente fechado, criando significativas pressões econômicas globais. A reabertura dessa passagem representa objetivo crucial para ambas as partes nas conversas que se aproximam em Doha.

Perspectivas futuras

O novo acordo entre EUA e Irã representa tentativa de reverter dinâmica de escalada que ameaçava completamente desmantelar o cessar-fogo provisório. Embora vulnerabilidades persistam, conforme demonstrado pelo cancelamento das conversas técnicas iranianas, a disposição de ambas as partes em retomar negociações em Doha oferece esperança de estabilização da situação regional.

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