Relatório 365 Dias

Kim Kataguiri desiste de governança paulista para ser superministro

Kim Kataguiri desiste de governança paulista para ser superministro
Fonte: g1.globo.com/sp/sao-paulo/eleicoes/2026/noticia/2026/06/20/kim-kataguiri-desiste-de-concorrer-ao-governo-de-sp-para-ser-superministro-de-renan-santos.ghtml

Deputado abandona disputa estadual para cargo federal estratégico

O deputado federal Kim Kataguiri anunciou no sábado (20) a desistência de sua pré-candidatura ao governo de São Paulo, abrindo mão da disputa estadual pelo recém-criado partido Missão para aceitar uma posição estratégica no governo federal. Kim Kataguiri será responsável por comandar o ministério da reforma de estado em uma eventual gestão de Renan Santos, pré-candidato à Presidência da República pela mesma legenda.

A decisão marca uma mudança significativa na trajetória política do parlamentar, que até o momento trabalhava em articulação para concorrer ao cargo mais alto do executivo paulista. Agora, Kim Kataguiri concentrará seus esforços na reeleição à Câmara dos Deputados enquanto se prepara para assumir responsabilidades ministeriais no âmbito federal.

A estrutura do superministério transversal

A proposta apresentada por Renan Santos envolve a criação de um superministério com caráter transversal, responsável por coordenar múltiplas áreas de importância estratégica para o governo federal. Este novo ministério abrangeria pasta de Fazenda, Gestão, Planejamento, Casa Civil e Trabalho, funcionando como um órgão integrado dedicado a conduzir reformas estruturais com foco principal na redução da máquina pública brasileira.

Segundo Kim Kataguiri, a proposta busca unir competência técnica com capacidade de negociação política junto ao Congresso Nacional. O deputado enfatizou durante coletiva de imprensa a importância de contar com alguém na esplanada dos Ministérios que possua experiência legislativa e capacidade de articulação parlamentar. "A necessidade de ter alguém na esplanada com experiência no Congresso Nacional é fundamental para ter equipe técnica com simultânea condução política", explicou o parlamentar.

Críticas a experiências anteriores de gestão

Durante o anúncio, Kim Kataguiri não poupou críticas a experiências anteriores de governo federal, apontando falhas na condução política mesmo quando existia credibilidade técnica. O deputado mencionou especificamente o governo Jair Bolsonaro, ressaltando que, apesar de Guedes ter trazido técnicos respeitados pelo mercado, a condução política revelou-se problemática.

"Havia técnicos que deram credibilidade pro mercado na equipe de Jair Bolsonaro, mas a condução política por parte do Paulo Guedes foi um desastre", afirmou categoricamente em entrevista coletiva realizada em evento do Missão na capital paulista. Esta avaliação reforça a estratégia de combinar expertise técnica com habilidade política, elementos que Kataguiri considera essenciais para o sucesso de um governo focado em reformas estruturais.

Operacionalização desde o Planalto

De acordo com Renan Santos, o superministério funcionaria diretamente da sede da Presidência da República, garantindo proximidade e articulação constante com o núcleo duro do governo federal. O pré-candidato utilizou uma metáfora moderna para descrever a proposta, afirmando que consistiria em "transformar o Palácio do Planalto numa startup".

Esta abordagem sugere um modelo de gestão mais ágil e integrado, afastando-se das estruturas tradicionais de ministérios isolados. A proximidade com a Presidência permitiria maior fluidez nas decisões relacionadas às reformas estruturais e maior capacidade de implementação das políticas estabelecidas.

Prioridades da agenda reformista

Kim Kataguiri destacou durante o anúncio as principais prioridades que orientarão as ações do superministério. Entre os objetivos centrais encontra-se a aprovação de uma nova reforma previdenciária, medida que o deputado considera fundamental para a sustentabilidade fiscal do país a longo prazo.

Outro ponto central na agenda diz respeito ao fim dos chamados "supersalários" no serviço público, uma medida que o parlamentar considera importante para demonstrar compromisso com a equidade e a austeridade fiscal. Além disso, a revisão dos pisos constitucionais de investimentos em saúde e educação integra a pauta reformista, ainda que estas sejam medidas de elevada complexidade política.

"Nós não teremos vergonha de defender publicamente o remédio amargo", declarou Kataguiri, acusando concorrentes políticos de cometerem "estelionato eleitoral" ao prometer em campanhas que não implementarão tais medidas. Conforme sua avaliação, independentemente de qual candidato vença a eleição presidencial, será necessário enfrentar estas questões estruturais.

Composição do núcleo econômico

O deputado indicou que pretende "beber da fonte" da equipe responsável pelo Plano Real, buscando incorporar experiência de economistas reconhecidos no mercado financeiro e acadêmico. Entre os nomes mencionados como referência estão Marcos Lisboa, Samuel Pessôa, Zeina Latif, Mário Mesquita, Mansueto Almeida, Marcos Mendes e Helena Landau.

Kataguiri anunciou que nos próximos dois meses revelará os primeiros integrantes do núcleo econômico que deseja levar ao governo federal, consolidando uma equipe de reconhecida competência técnica. "As portas do governo Renan Santos estão abertas pra vocês e todas as mentes brilhantes do nosso país", afirmou o deputado em convite direto aos profissionais destacados.

Impacto para o partido Missão

Com a desistência de Kim Kataguiri da disputa ao governo paulista, o partido Missão ainda não definiu sua posição quanto ao apoio a candidatos nesta eleição estadual. De acordo com dirigentes da legenda, o partido não deve apoiar outras organizações políticas na competição pelo governo de São Paulo, mantendo autonomia em suas decisões estratégicas.

A indefinição sobre candidatura própria ou eventual apoio reflete a recente fundação da agremiação, que continua estruturando sua atuação política em âmbito nacional e estadual. O foco na candidatura presidencial de Renan Santos parece ser a prioridade imediata do partido neste ciclo eleitoral.

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