Relatório 365 Dias

Locais de votação têm mudanças registradas

Locais de votação têm mudanças registradas
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Registros inconsistentes geram confusão sobre locais de votação

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem apresentado informações divergentes sobre locais de votação entre o primeiro e segundo turno das eleições de 2026. O sistema do tribunal contabiliza como mudanças de locais de votação casos em que os endereços das seções permanecem idênticos, criando inconsistências nos números divulgados publicamente.

Inicialmente, a página oficial do TSE registrava 2.033 seções eleitorais com alterações de locais de votação no início da tarde de domingo (18). Contudo, investigações posteriores revelaram que muitos desses registros não correspondem a mudanças efetivas de endereço. Na sexta-feira (16), o tribunal havia informado um número ainda maior: 4,3 mil seções eleitorais alteradas, o que aumentou a preocupação com a confiabilidade dos dados divulgados.

Tribunais Regionais identificam divergências nos dados de locais de votação

Os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) iniciaram um processo de apuração para identificar quais locais de votação efetivamente sofreram alterações. Diversas inconsistências foram encontradas ao comparar os registros do TSE com as informações dos TREs estaduais.

Em Pernambuco, enquanto a página do TSE indicava mudanças em 24 municípios, o TRE-PE confirmou que apenas seis seções eleitorais teriam mudança real de endereço, localizadas em Floresta e Buíque. No município de Escada, o sistema do tribunal apontava a transferência de seções da Escola Municipal Barão de Suassuna para o Grupo Municipal Barão de Suassuna, quando na verdade trata-se da mesma instituição com nomenclatura ligeiramente diferente.

Situação similar ocorreu em Alagoas. No município de Delmiro Gouveia, o TSE registrava mudança de locais de votação da Escola Municipal José Correia dos Santos para o Grupo Escolar José Correia dos Santos. Segundo o TRE-AL, nenhuma seção eleitoral efetivamente mudou de endereço no estado entre os dois turnos.

Atualizações rápidas do sistema reduzem números de locais de votação alterados

Após identificação das inconsistências, o TSE informou que o sistema estava sendo atualizado. Por volta das 19 horas do domingo, o número de seções modificadas tinha reduzido para 1.396. Duas horas depois, esse quantitativo caiu drasticamente para 99, indicando que muitos dos registros anteriores correspondiam a erros de duplicação ou classificação incorreta nos dados de locais de votação.

A orientação para o eleitor é consultar o local de votação através do aplicativo e-Título ou pelo Autoatendimento Eleitoral antes de sair para votar, garantindo que possui informação atualizada sobre seu endereço de votação.

Mudanças entre turnos são comuns, mas divergências alimentam desconfiança

De acordo com especialistas, alterações nos locais de votação entre o primeiro e segundo turno são práticas comuns na Justiça Eleitoral. Essas mudanças ocorrem por diversos motivos, incluindo problemas de acessibilidade, falhas no fornecimento de energia ou danos causados por intempéries como chuvas intensas e ventos fortes.

A advogada eleitoralista Emma Roberta Bueno, mestre em Direito, destaca que o verdadeiro problema não reside nas mudanças em si, mas nas inconsistências entre os números divulgados. Ela ressalta que o endereço informado no aplicativo e-Título está correto, porém a confusão com os números gerados causa ruído e alimenta desconfiança numa instituição que deveria ser a fonte mais segura de informação para os eleitores.

Levantamento consolidado de locais de votação é essencial

O advogado Fernando Naisser considera fundamental que o levantamento de seções alteradas seja consolidado rapidamente. Segundo ele, não faz sentido que essas atualizações continuem ocorrendo durante a semana, pois isso tornaria praticamente impossível informar adequadamente a população sobre possíveis mudanças nos locais de votação.

TREs desenvolvem força-tarefa para informar mudanças reais

Diante das inconsistências apresentadas pela página do TSE, os Tribunais Regionais Eleitorais iniciaram uma força-tarefa para esclarecer quais locais de votação realmente sofreram alterações. Os TREs estão utilizando seus sites e redes sociais oficiais para divulgar informações precisas sobre mudanças de endereços.

No Paraná, enquanto a página do TSE apontava alterações em 61 locais de votação distribuídos em 48 municípios, o levantamento do TRE-PR identificou mudanças reais em apenas oito locais, em sete municípios. Em São Paulo, a página do TSE indicava alterações em oito municípios envolvendo 15 locais de votação, mas o TRE-SP confirmou mudanças oficialmente apenas em duas zonas eleitorais: a 256ª, no Tucuruvi, na capital, e a 402ª, em Presidente Prudente.

No Rio de Janeiro, o TSE indicava mudanças em dois locais de votação, um na capital e outro em Nova Iguaçu. O TRE-RJ, porém, informou que apenas um local de votação foi efetivamente alterado, no bairro de Brás de Pina, na Zona Norte do Rio.

Descentralização nas decisões sobre locais de votação

O TSE esclareceu que as alterações nos locais de votação não são decididas de forma centralizada pelo órgão. A responsabilidade recai sobre cada zona eleitoral, que possui conhecimento sobre a realidade municipal e pode avaliar adequadamente a infraestrutura disponível para realizar mudanças quando necessário.

Especialistas cobram comunicação ativa com eleitores

Para Emma Roberta Bueno, a Justiça Eleitoral deveria adotar uma estratégia de comunicação ativa direcionada aos eleitores potencialmente afetados, em vez de depender exclusivamente de consultas individuais aos sistemas eletrônicos. A advogada sugere que avisos sobre mudanças de locais de votação fossem enviados através do aplicativo e-Título ou por mensagens diretas aos eleitores.

Outra medida sugerida seria sinalizar nos prédios utilizados no primeiro turno os novos endereços das seções que foram transferidas, facilitando a transição para eleitores menos familiarizados com tecnologia.

Fernando Naisser enfatiza que o principal desafio é garantir que as pessoas sejam informadas sobre eventuais mudanças nos locais de votação com tempo hábil. Para ele, o ponto crítico reside em que a Justiça Eleitoral consiga informar em tempo oportuno a população, não apenas presumindo que os eleitores consultarão espontaneamente o aplicativo e-Título para verificar seus dados de votação.

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