Marisa Monte em álbum de Niño Josele

Marisa Monte integra álbum Bajañí do violonista espanhol Niño Josele
O álbum Bajañí, lançado em outubro de 2024, marca um encontro significativo entre a cantora brasileira Marisa Monte e o renomado violonista e compositor espanhol de flamenco Niño Josele. Esta colaboração representa uma fusão artística entre tradições musicais distintas, com destaque para a participação dupla de Marisa Monte no projeto que já circula pelas principais plataformas de áudio.
A participação de Marisa Monte no álbum Bajañí ocorre em duas composições diferentes, demonstrando a relevância da artista brasileira para o projeto conceitual do violonista espanhol. Essa dupla presença consolida a importância das vozes femininas e da música brasileira dentro da estrutura do álbum, que conta com 16 faixas no total.
Ainda bem reimaginada: flamenco e sensibilidade
A canção "Ainda bem", originalmente lançada em 2011 como primeiro single do oitavo álbum solo de Marisa Monte intitulado "O que você quer saber de verdade", ganha nova vida no contexto do álbum Bajañí. A versão apresentada por Niño Josele mantém a essência da composição de Marisa Monte e Arnaldo Antunes, porém com uma reinterpretação que enfatiza elementos mais lentos e contemplativosdo flamenco espanhol.
Quando "Ainda bem" foi lançada em 2011, críticos e fãs da artista notaram a presença de influências do flamenco e do mariachi mexicano no arranjo original. Passados 15 anos, essa percepção inicial encontra validação através da colaboração com Niño Josele, um dos maiores especialistas contemporâneos em violão flamenco.
Nem um passo atrás: composição inédita na voz de Marisa
A segunda faixa do álbum Bajañí que conta com a participação de Marisa Monte é "Nem um passo atrás", composição de Mari Jasca, Julia Mestre e Mel Paranhos. Embora a canção tenha sido lançada há dois anos por Mari Jasca em seu álbum "Disparada" de 2024, esta versão interpretada por Marisa Monte representa um registro vocal completamente inédito da artistabrasileira para a música.
A inclusão de "Nem um passo atrás" no projeto de Niño Josele evidencia o poder comunicativo da composição e sua compatibilidade com a linguagem do flamenco espanhol, reforçando as pontes estabelecidas entre a música brasileira e a tradição musical ibérica através do violão.
Bajañí: documentário musical e trilha sonora
O álbum Bajañí funciona simultaneamente como trilha sonora de um documentário musical homônimo, dirigido pelo cineasta Fernando Trueba. Esta abordagem multimídia confere ao projeto dimensões que ultrapassam a experiência puramente auditiva, integrando narrativa visual e musical em um único universo criativo.
A capa do álbum homenageia o emblemático design do LP "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" dos Beatles de 1967, sinalizando a ambição artística do projeto e sua pretensão em dialogar com marcos históricos da música popular.
Conexões brasileiras no projeto flamenco
Além das participações de Marisa Monte, o violonista espanhol Niño Josele estabelece múltiplas conexões com a música brasileira ao longo do álbum Bajañí. A presença de composições clássicas brasileiras reflete a admiração e o reconhecimento que a tradição musical do Brasil exerce sobre os criadores espanhóis contemporâneos.
Entre as faixas que consolidam essa ponte cultural encontram-se "Insensatez", a composição de Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes de 1961, "Amazonas" de João Donato de 1965, e "Pixitotinha" de Hermeto Pascoal de 1988. Cada uma dessas canções representa não apenas um repertório musical importante, mas também uma filosofia criativa que atravessa gerações.
Colaboração com Caetano Veloso
Completando o quadro das colaborações internacionais presentes no álbum Bajañí, Niño Josele realiza uma parceria com Caetano Veloso em uma reinterpretação da canção dos Beatles "Because", composta por John Lennon e Paul McCartney em 1969. Esta escolha reforça a importância da música brasileira como diálogo fundamental na construção artística do projeto do violonista espanhol.
O lançamento do álbum Bajañí marca um momento importante na história das colaborações internacionais contemporâneas, evidenciando como artistas de diferentes nacionalidades e tradições musicais conseguem criar projetos coesos e significativos. A presença de Marisa Monte, ao lado de outras vozes e composições, consolida essa visão integradora que caracteriza o trabalho de Niño Josele.




