Relatório 365 Dias

Meta testa robôs em data centers para automatizar manutenção

Meta testa robôs em data centers para automatizar manutenção
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Meta investe em robôs para operações em data centers

A Meta, empresa de Mark Zuckerberg, está conduzindo testes com robôs para executar operações de manutenção em seus data centers. Segundo informações reveladas pela revista Wired, funcionários da companhia em condição de anonimato confirmaram que a gigante tecnológica está avaliando o desempenho de máquinas automatizadas para realizar tarefas que atualmente ocupam a mão de obra humana. Os robôs data centers estão sendo testados em diferentes localidades nos Estados Unidos, com foco especial no centro de dados de Altoona, em Iowa.

Entre os equipamentos utilizados nos testes está a Kinova Gen3, cujo braço robótico foi projetado para reiniciar e desligar servidores. Além desta, a Meta também utiliza máquinas de fornecedores especializados como Watney Robotics e ABB. As funções em avaliação incluem manejo de servidores, conexão de cabos de rede e realização de manutenção preventiva nas instalações.

Capacidade de substituição e preocupações de funcionários

De acordo com uma das fontes ouvidas pela Wired, estima-se que um dos robôs atualmente testado pela Meta, especializado em trocar cabos de rede, possa substituir até 80% da carga de trabalho de determinados profissionais. Um funcionário do data center expressou sua preocupação em entrevista à revista: "Pensávamos que nós, que realizávamos as tarefas físicas, estaríamos seguros por um tempo, mas não mais. Infelizmente, isso vai afetar a todos nós."

Os trabalhadores temem que a implementação em larga escala dessa tecnologia resulte em redução de postos de trabalho ou na precarização de suas funções. Outro profissional entrevistado pela revista expressa ceticismo sobre os argumentos empresariais de complementaridade: "Eles não querem mais pessoas que consigam pensar de forma independente, apresentar soluções criativas ou realizar diagnósticos complexos. Eles querem 'mãos inteligentes', pessoas que sejam capazes apenas de seguir instruções de IA sem cometer erros."

Estratégia de longo prazo da Meta em automação

Em 2025, Eric Xu, gerente sênior de robótica da Meta, afirmou que os objetivos de longo prazo da empresa incluem a inserção significativa de robôs em suas operações de data centers. Segundo Xu, essas máquinas podem acelerar a resposta a situações de emergência, monitorar continuamente o ambiente e executar procedimentos de manutenção preventiva em espaços controlados.

Quando questionada sobre os testes, a Meta recusou-se a comentar especificamente sobre as operações descritas. Contudo, Francis Brennan, porta-voz da companhia, divulgou comunicado enfatizando que a organização investe fortemente em treinamento e contratação de profissionais para os data centers: "Os Estados Unidos estão vivenciando o maior boom de infraestrutura desde a Segunda Guerra Mundial, e há uma grande escassez de trabalhadores qualificados para preencher as vagas; precisamos de mais trabalhadores, não menos."

Laboratórios de testes em diferentes estados americanos

A Meta já utiliza robôs em alguns de seus data centers, sendo o principal centro de testes o data center de Altoona, em Iowa. Porém, outras localidades também passam por avaliações com a tecnologia, como o centro de New Albany, em Ohio.

No data center de Iowa, o robô testado possui dois braços e realiza trabalhos especializados de cabeamento. Em Ohio, a reportagem cita testes com um robô de quatro rodas equipado com uma plataforma elevatória em formato de tesoura e um braço articulado de seis eixos na seção superior. Esta máquina é utilizada para reinstalar componentes e poderá, eventualmente, assumir outras funções com supervisão humana cada vez menor.

Mudanças no mercado de robótica comercial

Até recentemente, robôs não eram considerados adequados para operações em data centers. Os principais obstáculos eram os custos elevados e a incapacidade das máquinas para realizar tarefas simples com precisão. Porém, o cenário mudou significativamente nos últimos anos.

Conforme apontado pela Wired, o hardware tornou-se mais acessível financeiramente, enquanto o desenvolvimento da inteligência artificial que alimenta esses robôs acelerou exponencialmente. O número de startups dedicadas à construção de robôs comerciais capazes de substituir cabos, montar servidores e trocar peças aumentou consideravelmente. Especialistas destacam que robôs poderiam oferecer uma produção mais otimizada a um custo inferior comparado à mão de obra humana, especialmente em regiões menos populosas onde data centers são abundantes mas faltam profissionais qualificados.

Argumentos a favor da automação robótica

Entusiastas da robótica argumentam que os robôs podem beneficiar os trabalhadores humanos ao assumirem tarefas repetitivas e potencialmente perigosas, liberando os técnicos para enfrentar desafios mais complexos e criativos. Essa abordagem sugere uma complementaridade entre máquina e homem nas operações de data centers.

Outra perspectiva apresentada é que a disponibilidade de mão de obra robótica poderia viabilizar o desenvolvimento de data centers em ambientes extremos ou inóspitos para seres humanos, como instalações subaquáticas ou no espaço exterior. Essa possibilidade abriria novas fronteiras para a infraestrutura tecnológica global.

Implicações fiscais e compromissos com comunidades locais

A empreitada de automação através de robôs não está isenta de implicações económicas e sociais. A Meta tem recebido benefícios fiscais significativos em troca de construir e operar data centers em determinados estados americanos. Esses incentivos foram concedidos baseando-se na premissa de geração de empregos para os residentes locais e no prestígio que a presença da Meta traz às regiões.

Um exemplo notável é o data center de Altoona, em Iowa, inaugurado pela Meta em 2014. Desde então, a empresa tem economizado milhões de dólares em impostos prediais. Contudo, o uso crescente de robôs pode comprometer a contratação de novos funcionários humanos, potencialmente invalidando a justificativa original para a concessão dos subsídios fiscais.

Perspectivas futuras e reações das autoridades locais

Dean O'Connor, prefeito de Altoona, declarou à revista que não havia considerado profundamente a possibilidade de robôs substituírem empregos no data center local, embora reconheça que essa revolução é provavelmente inevitável. Sua abordagem pragmática reflete a incerteza que permeia muitas comunidades que hospedam infraestruturas tecnológicas: "Vamos lidar com isso conforme for acontecendo."

A situação ilustra uma tensão contemporânea entre inovação tecnológica e responsabilidade social corporativa, particularmente quando empresas recebem incentivos públicos baseados em promessas de emprego que posteriormente podem ser substituídas por automação.

Também em Tecnologia

Criptomoedas

Ethereum (ETH) $2,522 ▲ 0.35%
BNB $728 ▼ 0.17%
Solana (SOL) $102 ▲ 0.2%

Divisas

USD/EUR0.8627
EUR/GBP0.8582