Relatório 365 Dias

Paraguai devolve R$ 880 milhões a clientes do Banco Ueno

Paraguai devolve R$ 880 milhões a clientes do Banco Ueno
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Banco Ueno Paraguai: Restituição de Fundos Confirmada

O Banco Central do Paraguai (BCP) confirmou neste sábado (7) que completou a devolução de recursos para 1.196.000 correntistas do Banco Ueno, instituição que enfrentou colapso financeiro. A crise do Banco Ueno Paraguai afetou profundamente a população, incluindo brasileiros que vivem e trabalham na região. O montante total restituído foi equivalente a aproximadamente R$ 880 milhões, saindo do Fundo de Garantia de Depósitos, reserva estratégica mantida pelo órgão regulador.

O anúncio foi realizado durante coletiva de imprensa no Palácio López, após reunião emergencial entre o presidente interino Pedro Alliana, ministros da Economia e Finanças e a administração do BCP. A situação que levou ao Banco Ueno Paraguai precisar de intervenção foi resultado de ajustes contábeis que reduziram seu índice de solvência para menos da metade do mínimo regulamentado, representando risco sistêmico potencial.

Resposta Governamental à Crise do Banco Ueno Paraguai

O ministro da Economia e Finanças, Óscar Lovera, enfatizou o empenho do governo em resolver a questão do Banco Ueno Paraguai. "Fomos instruídos a fazer o máximo esforço para tranquilizar os poupadores afetados", declarou durante a coletiva. O governo mobilizou todos os recursos disponíveis para dar resposta rápida à situação que afetava milhares de depositantes, muitos deles dependentes de benefícios previdenciários.

O presidente interino do BCP, Pedro Acosta, informou que a instituição continua analisando alternativas para assistir depositantes cujos saldos excediam o limite coberto pela garantia de proteção. Esta medida amplia o escopo da assistência além do Fundo de Garantia de Depósitos, demonstrando o compromisso em minimizar perdas para os afetados pelo colapso do Banco Ueno Paraguai.

Impacto nos Beneficiários de Previdência

A crise do Banco Ueno Paraguai afetou particularmente os beneficiários do Instituto de Seguridade Social (IPS), principal organismo de previdência no país. Segundo o presidente do IPS, Derlis León, aproximadamente 32.000 aposentados de um total de 90.000 recebiam seus benefícios através da instituição afetada. A situação demandava solução imediata para evitar descontinuidade de pagamentos essenciais.

León garantiu que o próximo pagamento mensal dos pensionistas seria depositado normalmente em 17 de novembro, mantendo a regularidade dos benefícios. Os procedimentos para transferência dessas contas para outros oito bancos locais estavam em fase final, garantindo a preservação dos direitos dos aposentados afetados pela crise do Banco Ueno Paraguai. A transferência sistemática de recursos foi coordenada para evitar prejuízos aos beneficiários, que dependem desses valores para subsistência.

Origens da Crise Financeira no Paraguai

O Banco Ueno, maior banco digital do Paraguai e principal emissor de cartões de crédito da nação, enfrentava problemas financeiros significativos que levaram à intervenção do Banco Central. A instituição possuía aproximadamente 3 milhões de clientes e administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos, incluindo fundos do Instituto de Previsão Social responsável pelas aposentadorias.

Investigações revelaram irregularidades contábeis que comprometeram a solidez financeira do Banco Ueno Paraguai. Ajustes nos balanços fizeram o índice de solvência cair drasticamente, acionando protocolos de proteção ao depositante. O Banco Central iniciou procedimento interventor para salvaguardar os correntistas e evitar contágio em outras instituições financeiras do país.

Desdobramentos Políticos e Criminais

A crise do Banco Ueno Paraguai transcendeu questões financeiras, gerando consequências políticas graves. O Ministério Público abriu investigação criminal e decretou prisão de oito pessoas ligadas à instituição. No total, 27 pessoas são investigadas por suspeita de fraude e estelionato, indicando possível envolvimento criminoso na situação que levou ao colapso do Banco Ueno Paraguai.

Carlos Carvallo, presidente do Banco Central que havia comandado o próprio Ueno até agosto de 2023, renunciou ao cargo terça-feira (3) em meio a críticas sobre a fiscalização. O então presidente do país, Santiago Peña, sofreu impeachment e foi destituído na sexta-feira (6), tendo sua prisão decretada por envolvimento no escândalo. A crise política refletia responsabilidades na supervisão inadequada do Banco Ueno Paraguai.

Investigações Anteriores ao Colapso

Nos meses precedentes ao colapso, o Banco Ueno Paraguai já estava sob maior fiscalização das autoridades reguladoras. Órgãos investigadores analisavam se a instituição havia financiado indiretamente venda de carteira de ativos de empresa ligada ao Grupo Vázquez, seu controlador. O banco negava participação nas operações questionadas, mas as investigações continuaram identificando problemas estruturais que culminaram na intervenção.

Proteção ao Depositante e Fundo de Garantia

O Fundo de Garantia de Depósitos funcionou como mecanismo protetor em situação de quebra bancária, liberando recursos para cobrir perdas dos correntistas. Esse fundo representa proteção institucionalizada contra riscos sistêmicos no setor financeiro, operando dentro de limites legais preestabelecidos. A mobilização desse fundo para resolver a crise do Banco Ueno Paraguai demonstrou importância de tais salvaguardas financeiras.

Peña havia negociado com o Congresso aceleração da votação para autorizar uso do Fundo de Garantia de Depósitos, assegurando também devolução de recursos públicos mantidos pelo IPS e outros fundos de previdência. Apesar da gravidade, autoridades mantêm avaliação de que o problema foi isolado e não representa risco sistêmico à economia paraguaia como um todo.

Reflexos em Comunidades Fronteiriças

A crise do Banco Ueno Paraguai afetou particularmente brasileiros residentes no país e trabalhadores em regiões de fronteira. Muitos mantinham depósitos na instituição para operações comerciais e subsistência, gerando preocupação sobre preservação de economias pessoais. A resolução através da devolução de fundos beneficiou significativamente essa população, embora tenha gerado período de incerteza durante a intervenção.

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