Portuguesa empata em Saquarema e leva decisão para o Canindé

Uma noite de emoções em Saquarema
A Portuguesa enfrentou o Sampaio Corrêa-RJ em partida decisiva da Série D do Campeonato Brasileiro, em um duelo que revelou tanto a qualidade quanto as limitações do time rubro-verde. O empate de 1-1 conquistado longe de casa traz a definição da classificação para o estádio do Canindé, onde a Portuguesa dependerá da torcida e de sua superioridade técnica para avançar na competição.
O cenário do confronto era peculiar. O estádio Lourival Gomes, localizado em Saquarema, região rural do Rio de Janeiro, com capacidade para pouco mais de quatro mil pessoas, recebeu um público reduzido. A estrutura moderna, construída em 2010 e ampliada em 2016, contrastava com a paisagem campestre ao seu redor, entre montanhas, pastagens e criações de gado. Bem menos de mil pessoas estavam presentes do lado mandante, enquanto os torcedores da Portuguesa, que atravessaram entre seis e sete horas de estrada, animavam a arquibancada visitante.
O primeiro tempo da superioridade rubro-verde
Desde os primeiros minutos, a Portuguesa demonstrou maior controle do jogo. O técnico Ademir Fesan escalou um time ofensivo, com Bertinato no gol; João Vitor e Salomão nas laterais; Botteghin e Carlos Lima na zaga; Portuga, Thiaguinho e João Diogo no meio-campo; e Igor Torres, Cadorini e Toró no ataque. A equipe marcava alta, dificultava a saída de bola do volante Pablo e praticamente anulava o experiente centroavante Elias.
A superioridade da Portuguesa era indiscutível. O time abria o jogo pelos flancos, combinava pelo meio através de Thiaguinho e conseguia dominar os principais setores do gramado. Apesar da posse de bola abundante, a deficiência ofensiva começava a aparecer. Não havia conversão clara de posse em oportunidades de gol. Chutes saíam mal direcionados ou os espaços para finalizar não surgiam naturalmente.
Aos 19 minutos, ocorreu um lance que mudaria o rumo do jogo. João Diogo cobrou falta da entrada da área, o goleiro Zé Carlos espalmou e João Vitor tentou aproveitar o rebote. Guilherme, lateral do Sampaio Corrêa-RJ, interceptou a bola com o braço aberto. O árbitro baiano Emerson Souza Silva deixou de marcar o pênalti claro, uma decisão controversa que presentes no estádio e espectadores da transmissão notaram facilmente. Um gol naquela situação teria transformado a superioridade rubro-verde em resultado.
O gol inesperado do Sampaio Corrêa
O intervalo chegou com o 0-0 frustrante para a Portuguesa. A torcida receava o resultado, pois a equipe claramente merecia estar vencendo. Esse receio se consolidou logo aos três minutos do segundo tempo. Em um escanteio pela direita, o Sampaio Corrêa-RJ organizou um bloco defensivo enquanto a Portuguesa posicionava oito atletas na área. Ryan cabeceou com extrema liberdade, a bola quicou no gramado irregular e Bertinato, ao tentar espalmar, acabou empurrando a bola para o fundo das redes.
O gol despertou o time da casa. Até então, o Sampaio Corrêa-RJ havia oferecido pouca ameaça. Esse balançar das redes trouxe confiança aos donos da casa e obrigou a Portuguesa a se lançar ao ataque de forma mais desesperada. O baque foi organizacional, não apenas emocional. Com a necessidade de empatar, a equipe rubro-verde começou a cometer erros de passe. Toró e Thiaguinho, recém-recuperados de lesão, perdiam intensidade na etapa final, comprometendo a aceleração do jogo.
As mudanças táticas e o empate redentor
Ademir Fesan promoveu alterações na formação. O lateral Lucas Hipólito, o meia Denis e os atacantes Cauari e Thiago Rubim entraram em campo para oxigenar o ataque. A Portuguesa passou a contar praticamente com uma linha de quatro no setor ofensivo, enquanto Denis assumia a ligação entre defesa e ataque. Os chuveirinhos para a área se multiplicaram, mas a falta de criatividade persistia.
Foi então que surgiu a esperança. Da intermediária, Denis encaixou um passe de qualidade que vinha desaparecendo do jogo. Cauari explorou o flanco esquerdo, invadiu a área, dominou e finalizou. Zé Carlos espalmou, Cadorini vinha atrás, aproveitou o rebote e empurrou a bola para o fundo das redes. A torcida visitante explorou de alegria. O empate chegava na base da vontade e insistência, característico da Série D.
A decisão em casa
O gol de Cadorini transformou completamente o cenário. Tirou a vantagem do Sampaio Corrêa-RJ no mata-mata, corrigiu os erros defensivos, igualou novamente o jogo e trouxe a definição para o Canindé. Não serão mais 180 minutos de competição, mas apenas 90. A Portuguesa agora terá a responsabilidade de converter a superioridade técnica em gols no estádio onde comanda.
A torcida rubro-verde deixou Saquarema com sentimentos ambivalentes. De frustração por não ter vencido no primeiro tempo e construído vantagem segura. De raiva pela arbitragem que roubou um pênalti. De alívio, porém, pelo empate que pode ser visto como uma dádiva. Um gol importantíssimo que deixa de lado traumas anteriores em mata-matas e resgata a confiança na capacidade ofensiva do time.
Reflexões sobre o desafio que se aproxima
A ineficiência ofensiva preocupa. A falta de opções no elenco causa receio. A variação tática limitada incômoda. As falhas defensivas parecem não cessar. A margem de superioridade, considerando o investimento realizado, deveria ser maior. Tudo isso é realidade e foi amplamente discutido durante a fase de grupos.
No entanto, o mata-mata está ali, à frente. É a chance de transformar o sonho do acesso em realidade. Se tiver de ser assim, que seja assim. Agora é empurrar. Cabe à SAF, à comissão técnica e ao elenco apresentar correções e evoluções em relação ao jogo de ida. Cabe também à torcida demonstrar que compreende a importância do acesso e conferir ao Canindé o clima que uma decisão exige. A Portuguesa flertou com o céu, piscou para o inferno e, afinal, trouxe a decisão para junto da torcida.

