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Pra Gira Girar lança álbum que homenageia legado dos Tincoãs

Pra Gira Girar lança álbum que homenageia legado dos Tincoãs
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Coletivo Pra Gira Girar homenageia Os Tincoãs com novo álbum

Após o sucesso dos singles "Atabaque chora" e "Deixa a gira girar", lançados respectivamente em outubro e novembro de 2024, o coletivo Pra Gira Girar se prepara para apresentar seu primeiro trabalho completo. O álbum "Pra gira girar – Uma celebração aos Tincoãs" chega às plataformas e lojas em 30 de outubro, através do selo Amor in Sound, consolidando a trajetória deste grupo dedicado a preservar e reinterpretar o legado musical de uma das figuras mais importantes da música afro-brasileira.

O projeto emerge como resultado natural de uma apresentação ao vivo que o coletivo realizou em homenagem aos Tincoãs. Conforme explica Alvaro Lancellotti, mentor e vocalista do grupo, a ideia de transformar aquele espetáculo em um registro fonográfico surgiu organicamente. "Esse disco é uma consequência do show, nada tínhamos planejado. No entanto, entendemos que essa obra era riquíssima e que pouca gente viu Os Tincoãs em cena. Eles não fizeram tantas aparições como banda e também pertencem a uma geração muito antiga. Houve, então, uma vontade muito genuína de reapresentá-los", comenta o artista.

Um tributo a Os Tincoãs e sua importância cultural

Os Tincoãs representam um capítulo fundamental na história da música brasileira. Formado em Cachoeira, na Bahia, em 1960, o grupo ganhou projeção nacional durante a década de 1970 graças à sua abordagem inovadora da música afro-brasileira, carregada de elementos ancestrais e espirituais que se tornaram marca registrada de suas composições. Suas criações transcenderam o simples entretenimento, funcionando como veículo de preservação de tradições culturais e espiritualidade africana.

O novo álbum do Pra Gira Girar resgata doze músicas extraídas do catálogo mais significativo dos Tincoãs, reunindo composições que marcaram época e consolidaram o impacto do grupo na cena musical brasileira. Essa seleção cuidadosa reflete o compromisso do coletivo em manter vivo o diálogo com as raízes da música afro-brasileira, garantindo que gerações futuras tenham acesso a obras de importância histórica e artística.

A formação e produção do projeto

O núcleo criativo do Pra Gira Girar é constituído por quatro músicos principais: Alvaro Lancellotti na voz, Alan de Deus também nos vocais, Michele Leal contribuindo com sua expressão vocal e Pedro Costa na guitarra. Esta formação base foi expandida durante o processo de gravação, contando com colaborações significativas que enriqueceram o resultado final do trabalho.

A produção musical foi orquestrada por Mario Caldato, figura reconhecida na indústria musical brasileira, em colaboração estreita com o baixista Alexandre Kassin, que além de contribuir instrumentalmente, participou da coprodução do álbum. A equipe de músicos convidados incluiu nomes de destaque: Anna Magalhães na percussão, Diogo Gomes no trompete e Zé Manoel nos teclados e vocais. A ficha técnica ainda registra in memoriam a participação do percussionista Zero Awá, falecido em 2025, cujas contribuições foram preservadas como parte integral dessa obra coletiva.

Repertório que resgata a essência dos Tincoãs

O álbum "Pra gira girar – Uma celebração aos Tincoãs" oferece ao público uma seleção primorosa de composições que exemplificam o melhor trabalho criativo do grupo baiano. Entre as faixas incluídas estão "A força da Jurema", composição de Mateus Aleluia, Dadinho e Heraldo Bozas de 1973, e "Cordeiro de Nanã", de Mateus Aleluia e Dadinho de 1977. Também integram o repertório "Lamento às águas", "Na beira do mar", "Oxossi te chama" e "Salmo", todas pertencentes ao período áureo do grupo.

Cada uma dessas composições carrega em si a profundidade espiritual e a riqueza melódica que caracterizaram Os Tincoãs. As letras dialogam frequentemente com elementos do universo espiritual afro-brasileiro, incorporando referências a orixás e à cosmogonia africana, reafirmando a importância cultural dessas obras dentro do contexto da música brasileira.

Aspectos visuais e edição do trabalho

A capa do álbum foi concebida pela artista plástica Ilana Paterman Brasil, cuja criação visual complementa e reforça a proposta conceitual do projeto. O álbum será disponibilizado em formato LP, escolha que reflete a intenção de oferecer uma experiência de escuta completa e envolvente, reforçando o caráter artístico e a importância histórica desse registro musical.

Este lançamento representa não apenas um tributo musical, mas um ato de documentação e preservação de um legado inestimável para a cultura brasileira, consolidando o compromisso do coletivo Pra Gira Girar com a memória musical e espiritual de uma tradição que continua inspirando novas gerações de artistas e apaixonados pela música autêntica.

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