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Propostas econômicas dos candidatos para 2026: conheça os planos

Propostas econômicas dos candidatos para 2026: conheça os planos
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Propostas econômicas dos candidatos para 2026: conheça os planos

A corrida presidencial de 2026 coloca em evidência diferentes visões sobre como enfrentar os grandes desafios da economia brasileira. As propostas econômicas dos candidatos revelam abordagens distintas para questões que afetam diretamente o bolso dos brasileiros e a saúde financeira do país. Com o primeiro turno se aproximando, eleitores podem conferir os principais compromissos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).

Os temas centrais incluem o equilíbrio das contas públicas, a redução dos juros, o endividamento das famílias, o crescimento econômico e a produtividade. Cada candidato apresenta suas visões nos documentos entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), refletindo diferentes filosofias sobre a intervenção estatal, o tamanho do governo e a distribuição de recursos.

Situação crítica da dívida pública

A dívida pública representa um dos maiores desafios para o próximo presidente. Em agosto, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 10 bilhões, e no acumulado de janeiro a agosto, o déficit atingiu R$ 88,9 bilhões. A dívida pública alcançou 82,9% do PIB, ou R$ 11,05 trilhões, marcando o maior nível desde março de 2021.

Quando o governo gasta mais do que arrecada, há um déficit primário que precisa ser financiado. Considerando também os juros da dívida, o déficit chegou a R$ 1,26 trilhão nos 12 meses até agosto, equivalente a 9,48% do PIB. Durante esse período, os juros somaram R$ 1,18 trilhão.

Propostas para enfrentar a dívida

Augusto Cury propõe reduzir o déficit até chegar próximo de zero e diminuir gradualmente o tamanho da dívida em relação à economia. Seu plano inclui reforma administrativa, mudanças na divisão de responsabilidades entre União, estados e municípios e uso de inteligência artificial para encontrar fraudes e desperdícios no setor público.

Flávio Bolsonaro defende mudança nas regras fiscais para estabilizar e reduzir a dívida em relação ao tamanho da economia. Seu plano propõe que o governo passe a gastar menos do que arrecada, limite empréstimos com juros subsidiados pelo Tesouro e reduza despesas não obrigatórias nos três Poderes.

Lula defende manter o Novo Arcabouço Fiscal, que estabelece regras para o crescimento dos gastos públicos, mas preservar recursos para saúde, educação e programas de proteção social. Também propõe melhorar a eficiência dos gastos, revisar benefícios fiscais e aumentar a tributação sobre os mais ricos.

Renan Santos critica o Novo Arcabouço Fiscal e propõe uma PEC de Equilíbrio Fiscal, com economia projetada de R$ 1,1 trilhão até 2031. Entre as medidas estão desvinculação de benefícios previdenciários do salário mínimo, limitar a correção à inflação e acabar com a vinculação de receitas para saúde e educação.

Ronaldo Caiado propõe um plano de longo prazo para estabilizar a dívida sem aumentar impostos ou fazer cortes lineares. Defende limitar o crescimento das despesas obrigatórias e revisar subsídios e benefícios tributários.

Romeu Zema propõe ampla redução das despesas do governo, com reforma da Previdência, contenção do crescimento das despesas obrigatórias, revisão das regras para emendas parlamentares e reforma administrativa. Também defende privatização de empresas estatais e ampliação de parcerias com o setor privado.

Endividamento recorde das famílias

Em julho, 82% dos consumidores tinham algum tipo de dívida a vencer, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o maior nível da série histórica da entidade. O cenário envolve principalmente cartão de crédito, carnês, empréstimos e financiamentos.

A inadimplência também permanece elevada. A taxa média nas operações de crédito subiu de 4,9% para 5% entre julho e agosto, segundo o Banco Central do Brasil, atingindo o maior nível da série histórica revisada, iniciada em março de 2011. Os juros altos impactam diretamente esse cenário, pois quanto mais caro o crédito, maior tende a ser o custo para quem precisa parcelar uma compra ou contratar um empréstimo.

Soluções apresentadas pelos candidatos

Augusto Cury propõe criar o Banco do Empreendedor, com microcrédito de R$ 2 mil a R$ 20 mil e juros de 5% a 6% ao ano. Também busca mudar critérios de análise de risco bancário para considerar o histórico de pagamento dos consumidores.

Flávio Bolsonaro propõe reduzir juros e inflação por meio do reequilíbrio das contas públicas. Seu programa Ganha-Ganha inclui orientação financeira pela Caixa, renegociação de dívidas para mulheres e um modelo de financiamento estudantil condicionado à renda.

Lula aposta na renegociação de dívidas por programas como Desenrola Brasil, Novo Desenrola e Desenrola Pequenos Negócios. Defende regras de concessão responsável de crédito e condições para uma queda sustentada dos juros.

Ronaldo Caiado associa o custo elevado do crédito à situação das contas públicas e propõe reduzir despesas obrigatórias para diminuir os juros. Prevê um Crédito Social Acompanhado para pequenos empreendedores e medidas de proteção patrimonial a públicos vulneráveis.

Romeu Zema propõe facilitar a renegociação e a portabilidade de dívidas pelo Open Finance. Também defende modernizar as garantias de crédito para reduzir os juros e apresenta o "Programa Sócios do Brasil", com R$ 1.000 investidos para cada brasileiro ao nascer.

Apostas online e proteção ao consumidor

As bets foram legalizadas em 2018 e regulamentadas em 2023. Desde 2025, as empresas autorizadas passaram a pagar impostos. Naquele ano, o governo arrecadou R$ 8,94 bilhões com a tributação do setor.

Em setembro de 2025, o governo Lula anunciou uma medida provisória para proibir as apostas de quota fixa, os jogos online e os cassinos virtuais, apresentada como parte de um pacote para combater o endividamento das famílias. Segundo estudo do Comsefaz, as apostas retiraram R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias em 2025, enquanto o governo arrecadou R$ 15,3 bilhões em impostos sobre as bets desde o início daquele ano.

Lula defende mecanismos de controle do endividamento associado às apostas, regras mais rígidas para concessão de crédito e ampliação do atendimento em saúde mental. Ronaldo Caiado defende regras mais rígidas, incluindo proibição de publicidade de apostas em meios de comunicação de massa e redes sociais, teto para gastos dos apostadores e combate a plataformas ilegais. Flávio Bolsonaro propõe proibir o uso de recursos de programas sociais em apostas e campanhas de conscientização.

Comércio exterior e terras raras

O comércio exterior ganhou importância especial diante das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos. Em julho, o governo de Donald Trump aplicou sobretaxas adicionais de 25% e 12,5% sobre parte dos produtos brasileiros, chegando a 37,5% em alguns casos.

O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, enquanto a China domina cerca de 70% da produção global. O interesse dos EUA pelas reservas brasileiras ganhou espaço nas negociações entre os dois países em meio ao tarifaço.

Augusto Cury propõe reduzir a burocracia para exportadores e devolver impostos pagos pelas empresas exportadoras. Flávio Bolsonaro defende estreitar relações comerciais com países como EUA, Argentina e Israel. Lula defende o Plano Brasil Soberano para reduzir impactos de barreiras comerciais e apoiar empresas afetadas. Ronaldo Caiado propõe processar minerais estratégicos no país antes de vendê-los. Romeu Zema defende a saída do Brasil dos BRICS e transformação do Mercosul em uma zona de livre comércio.

Inflação e juros como eixos centrais

A taxa de juros é um dos temas que conecta praticamente todos os assuntos econômicos. A Selic está em 13,75% ao ano, após cinco cortes feitos pelo Banco Central em 2026. Apesar da redução, a taxa ainda é considerada elevada e mantém o custo do crédito alto para famílias e empresas.

A inflação continua acima da meta de 3%. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, acumulou 4,22% em 12 meses até agosto.

Augusto Cury defende que o governo mantenha as contas públicas equilibradas para ajudar a reduzir a inflação e os juros. Flávio Bolsonaro relaciona inflação e juros altos ao aumento dos gastos e da dívida do governo. Lula defende a manutenção do Novo Arcabouço Fiscal e medidas que criem condições para redução dos juros. Ronaldo Caiado propõe um plano de longo prazo para controlar as contas públicas. Romeu Zema propõe controlar a dívida pública e manter superávits nas contas do governo para criar condições para queda sustentada dos juros.

Conexão entre os temas econômicos

Os diferentes temas econômicos estão intimamente conectados. Qualquer proposta que aumente a demanda sem ampliar a capacidade de produção pode dificultar a queda da inflação e manter os juros elevados. O mercado de trabalho continua forte, mas será necessário transformar o aumento do emprego em ganhos sustentáveis de renda, o que depende de produtividade e qualificação.

Em 2027, será importante o período de transição para o novo sistema tributário. As questões fiscais, juros, investimento, produtividade e renda determinarão quanto o Brasil conseguirá crescer de forma sustentável nos próximos anos. Os eleitores devem analisar cuidadosamente as propostas econômicas dos candidatos para escolher aquele cuja visão melhor se alinha com suas prioridades e esperanças para o país.

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