Relatório 365 Dias

Receita Federal emite primeiro CNPJ alfanumérico

Receita Federal emite primeiro CNPJ alfanumérico
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Primeiro CNPJ alfanumérico emitido no Brasil

A Receita Federal anunciou nesta sexta-feira (31) a emissão do primeiro CNPJ alfanumérico do país, marcando um momento histórico para o sistema de identificação de pessoas jurídicas brasileiras. O novo CNPJ alfanumérico foi atribuído a uma filial do Banco do Brasil S.A., registrada sob o número 00.000.000/E08G-12, iniciando uma transformação gradual no cadastro nacional.

Desde julho, o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) passou a adotar o formato alfanumérico, permitindo a combinação de letras e números em substituição ao sistema exclusivamente numérico utilizado há décadas. Conforme a Instrução Normativa RFB nº 2.229, essa modificação não afeta empresas já constituídas, apenas os novos registros solicitados a partir dessa data.

Estrutura e características do novo formato

O novo número de identificação do CNPJ alfanumérico mantém as 14 posições, porém com uma distribuição diferenciada. As oito primeiras posições identificam a raiz do número, compostas tanto por letras quanto por números. As quatro posições seguintes representam a ordem do estabelecimento, também em formato alfanumérico. As duas últimas posições, que correspondem aos dígitos verificadores, continuam sendo exclusivamente numéricas.

A implementação do CNPJ alfanumérico foi estruturada para garantir a continuidade das políticas públicas e assegurar a disponibilidade de números de identificação sem gerar impactos técnicos significativos para a sociedade. A autorização para utilização do novo formato a partir de julho não implica que todos os CNPJs emitidos após essa data possuam automaticamente letras, sendo a implementação gradual e progressiva conforme a demanda.

Por que a mudança foi necessária

De acordo com a Receita Federal, o número de combinações possíveis no modelo anterior estava próximo do limite máximo. Com o aumento contínuo no número de empresas e filiais brasileiras, o órgão decidiu expandir o sistema para garantir sua viabilidade a longo prazo. A inclusão de caracteres alfabéticos amplia significativamente a quantidade de combinações possíveis, permitindo novos registros por muitos anos.

Quem receberá o novo CNPJ alfanumérico

Apenas novas inscrições a partir da implementação receberão o CNPJ alfanumérico, incluindo empresas recém-criadas, filiais de organizações existentes, produtores rurais, condomínios e profissionais liberais. O formato anterior, composto exclusivamente por números, permanece válido e continuará sendo utilizado pelas empresas já registradas.

Não será necessário nenhum procedimento adicional ou obrigatório por parte dos contribuintes junto à Receita Federal, aos órgãos estaduais ou municipais para adequação dos CNPJs antigos. Os sistemas públicos serão gradualmente atualizados para aceitar tanto o formato numérico quanto o novo formato alfanumérico de forma automática e transparente.

Alterações no processo de inscrição

O procedimento para abertura de empresas e solicitação de CNPJ continuará idêntico ao existente. A única diferença prática é que o número gerado poderá conter letras além dos números tradicionais. Segundo a Receita Federal, a partir de julho todos os sistemas foram preparados e integrados à Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (REDESIM), garantindo a funcionalidade do novo CNPJ alfanumérico.

Adaptações necessárias nas empresas

Empresas e sistemas que lidam com emissão de notas fiscais ou controle tributário precisarão adaptar seus softwares, bancos de dados e rotinas internas para reconhecer e processar o novo CNPJ alfanumérico. Podem ocorrer falhas temporárias na emissão de documentos fiscais, dificuldades na comunicação com fornecedores ou atrasos no cumprimento de obrigações tributárias durante o período de transição.

A Receita Federal disponibiliza ferramentas e recursos para facilitar essa atualização técnica nas organizações. Especificamente, o órgão fornecerá rotinas de cálculo em linguagens de programação populares para auxiliar desenvolvedores na implementação das mudanças necessárias nos sistemas existentes.

Cálculo do Dígito Verificador

O Dígito Verificador (DV), número que aparece no final do CNPJ e serve para validar sua autenticidade, continuará sendo calculado pelo método do Módulo 11, um tipo de verificação matemática. Este método foi adaptado para incluir letras no cálculo do novo CNPJ alfanumérico.

Cada caractere será convertido em um valor numérico com base na tabela ASCII, que atribui um número específico a cada símbolo, e dele será subtraído o valor 48. Por exemplo, a letra A corresponde ao número 65 na tabela ASCII e, para o cálculo, será utilizado o valor 17, resultado de 65 menos 48. Essa adaptação mantém a segurança e a confiabilidade do sistema de validação.

Ligação com a reforma tributária

O novo CNPJ alfanumérico integra o processo mais amplo de modernização do sistema tributário brasileiro. A mudança prepara o caminho para a implementação de dois novos tributos: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que visam unificar e simplificar diversos impostos atualmente em vigor.

Para essa transformação tributária, será necessário contar com sistemas mais modernos, robustos e integrados. O novo CNPJ alfanumérico contribui nesse processo ao ampliar a capacidade do sistema de identificação, facilitar a separação entre despesas pessoais e profissionais, além de automatizar processos como a recuperação de créditos tributários e o controle fiscal.

Custos para as empresas

Sim, haverá custos para as empresas que necessitem atualizar seus sistemas para reconhecer o novo CNPJ alfanumérico e calcular corretamente o Dígito Verificador. Essas adaptações podem gerar despesas técnicas significativas, especialmente em softwares de emissão de notas fiscais, sistemas de gestão empresarial e bancos de dados que precisam ser reestruturados para suportar o novo formato.

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