Relatório 365 Dias

Trump critica Fed por manter juros altos nos EUA

Trump critica Fed por manter juros altos nos EUA
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Trump questiona decisões do Federal Reserve sobre juros

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou crítica contundente aos dirigentes do Federal Reserve nesta quarta-feira (7), afirmando que autoridades do banco central americano estariam buscando prejudicar a economia nacional. Sua fala evidencia crescente tensão entre o executivo e a instituição responsável pela política monetária do país. Trump argumenta que os juros nos EUA seguem em patamares desnecessariamente elevados, impactando principalmente o mercado imobiliário e o acesso ao crédito para famílias americanas.

As declarações ocorreram após questionamento sobre as taxas de financiamento imobiliário, que permaneccem em níveis elevados. Trump reconheceu Kevin Warsh, presidente do Fed que foi indicado por ele próprio, mas direcionou suas críticas aos demais membros do conselho da instituição. Segundo o presidente, essas autoridades "gostariam de ver o país ir mal, na minha opinião, porque acho que os juros deveriam cair".

Impacto das decisões sobre o mercado imobiliário

As taxas de juros nos EUA exercem influência direta sobre as taxas de hipoteca oferecidas aos consumidores americanos. Na semana passada, a taxa dos financiamentos imobiliários de 30 anos atingiu seu maior patamar em quase três anos, acirando debates sobre acessibilidade habitacional.

Ao lado de Trump no Salão Oval, Scott Bessent, secretário do Tesouro americano, apresentou perspectiva alternativa sobre a questão. Bessent atribuiu a inflação elevada ao que classificou como "choque de energia", relacionado a tensões geopolíticas. Conforme sua avaliação, "assim que estivermos do outro lado desse conflito com o Irã, o mercado de energia estará bem abastecido e caminharemos em direção à meta do Fed. As taxas de hipoteca e os rendimentos dos Treasuries de 10 anos voltarão a cair".

Elevação de juros e decisão do Federal Reserve

No mês passado, o Federal Reserve dos EUA implementou primeira elevação de juros em mais de três anos. O banco central aumentou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, estabelecendo a faixa entre 3,75% e 4% ao ano. Esta decisão interrompeu sequência de cinco reuniões consecutivas sem alterações nas taxas.

A medida foi influenciada por múltiplos fatores, incluindo disparada do preço do petróleo consequente ao aumento de tensões no Oriente Médio. Essas circunstâncias reforçaram preocupações do Fed com a persistência da inflação na economia americana.

Fundamentos da decisão do Comitê Federal

Em comunicado oficial, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) indicou que a atividade econômica dos Estados Unidos continuava se expandindo em ritmo considerado sólido. Segundo a instituição, "os gastos domésticos têm se mostrado resilientes", apesar do contexto de incerteza elevada ocasionada por eventos geopolíticos.

O comitê reforçou que a decisão de elevar a taxa básica de juros nos EUA considera o duplo mandato constitucional do Fed: controlar a inflação e promover o máximo emprego. Projeções recentes da instituição indicaram que a maioria dos integrantes do Fed esperava pelo menos mais uma elevação de 0,25 ponto durante 2026.

Posicionamento de Kevin Warsh sobre independência do Fed

Em coletiva de imprensa, Kevin Warsh foi questionado especificamente sobre os pedidos de Donald Trump para redução dos juros nos EUA. Trump já havia dirigido críticas severas ao antecessor de Warsh, Jerome Powell, utilizando termos como "mula", "cabeça oca" e "estúpido" por não cortar as taxas.

Warsh respondeu de forma concisa às questões sobre pressões políticas: "Nós cuidamos da nossa área. Independência é uma via de mão dupla". Sua resposta reforçou a autonomia institucional do banco central na condução da política monetária.

Análise da inflação subjacente e perspectivas

O presidente do Fed também abordou questões técnicas sobre a inflação. Warsh declarou que a inflação não havia apresentado melhora significativa nos recentes períodos analisados. "O fato é que a inflação está alta demais e está assim há tempo demais", afirmou o dirigente.

Em agosto, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA registrou 3,4% no acumulado em 12 meses, permanecendo acima da meta de 2% estabelecida pelo Fed. Warsh ressaltou que "os dados de inflação deste verão não me dizem que as tendências subjacentes melhoraram de forma significativa".

A inflação subjacente representa medida técnica que busca revelar a tendência mais persistente dos preços, excluindo componentes que oscilam significativamente, como alimentos e energia. Segundo análise de Warsh, "categorias demais" de preços registravam taxas de inflação superiores a 3% tanto em períodos de seis meses quanto de 12 meses.

Perspectivas futuras e consenso no Fed

Warsh enfatizou necessidade de maior confiança quanto ao controle inflacionário: "Precisamos estar confiantes de que a inflação subjacente está caminhando claramente para nosso objetivo e em uma velocidade suficiente. Hoje, o Fomc decidiu que esse padrão não foi atendido".

Apesar das tensões com o presidente, Warsh indicou que os dirigentes do banco central concordam em avaliação sobre a economia americana. Conforme suas declarações, a economia do país "parece estar se fortalecendo", sugerindo sustentabilidade econômica mesmo diante de desafios inflacionários perseverantes.

Também em Mundo

Criptomoedas

Ethereum (ETH) $2,580 ▼ 3.9%
BNB $772 ▼ 0.49%
Solana (SOL) $116 ▼ 3.03%

Divisas

USD/EUR0.8947
EUR/GBP0.8465