Relatório 365 Dias

4 processos nos EUA que podem revolucionar as redes sociais

4 processos nos EUA que podem revolucionar as redes sociais
Fonte: g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/06/28/os-4-processos-judiciais-nos-eua-que-podem-mudar-a-forma-como-as-redes-sociais-operam.ghtml

Processos judiciais redes sociais transformam o cenário regulatório

Os processos judiciais redes sociais nos Estados Unidos representam um ponto de inflexão histórico na forma como as plataformas digitais operam. Meta, Google, TikTok, Snapchat, Discord e Roblox enfrentam dezenas de ações judiciais que acusam essas empresas de prejudicar usuários, especialmente crianças, em vez de cumprir suas promessas iniciais de conectar pessoas e democratizar a informação.

Quando as plataformas de mídia social surgiram há duas décadas, foram celebradas como tecnologia revolucionária. Hoje, o cenário mudou radicalmente. Milhares de processos acusam essas companhias de negligência em relação à segurança dos menores, design viciante e coleta ilegal de dados. Os resultados desses processos, seja através de acordos ou veredictos de júri, promete reformular completamente como essas plataformas funcionam.

Eric Talley, professor de Direito em Columbia, observa que esse cenário jurídico não apenas interessa observadores legais, mas também influencia reguladores e legisladores. As consequências políticas dos processos provavelmente afetarão eleições futuras e levará à criação de novas leis e regulamentos sobre o setor de tecnologia.

A Califórnia como epicentro da regulação digital

Muitos desses processos tramitam em tribunais da Califórnia, onde as principais plataformas de mídia social estão localizadas. Esse fenômeno, conhecido como "efeito Califórnia", significa que mudanças legais implementadas no estado tendem a se espalhar para o resto do país, influenciando a regulação nacional.

Alexis Shore Ingber, especialista em direito da comunicação na Universidade de Syracuse, afirma que "não há mais como negar que existe um problema com a segurança infantil nas plataformas". Segundo ela, estamos vivenciando um ponto de inflexão decisivo para o setor, e os casos em curso são extraordinariamente significativos.

Derrotas históricas para as gigantes da tecnologia

Este ano, Meta e Google sofreram uma derrota sem precedentes quando um júri condenou ambas as empresas a pagar 6 milhões de dólares (31 milhões de reais) a uma jovem mulher que alegou ter sido viciada em redes sociais durante a infância, resultando em danos à saúde mental e emocional. Ambas as plataformas anunciaram que pretendem recorrer da decisão.

Além disso, a Meta perdeu um processo mais amplo no Novo México, onde o procurador-geral acusou a empresa de enganar o público ao afirmar que suas plataformas eram seguras para crianças, apesar dos problemas conhecidos de exploração sexual de menores. A Meta também planeja recorrer dessa condenação.

Durante os anos em que esses processos foram julgados, a Meta implementou várias mudanças em suas plataformas visando maior segurança infantil. No entanto, alterações mais profundas na arquitetura, design e funcionamento das plataformas provavelmente exigirão mais anos e várias decisões judiciais desfavoráveis.

Os quatro processos mais importantes em julgamento

Distritos escolares versus plataformas de mídia social

Um extenso litígio multidistrital na Califórnia reúne alegações de mais de mil distritos escolares em todo o país. As escolas acusam Instagram, YouTube, Snapchat e TikTok de serem intencionalmente projetados para causar dependência, prejudicando crianças mental e emocionalmente através do uso excessivo.

As escolas argumentam que lidar com os efeitos prejudiciais das redes sociais custou recursos financeiros significativos, e que as plataformas devem ser consideradas um "incômodo público" e responsabilizadas pelos danos ao bem-estar infantil. Embora um julgamento esteja marcado para fevereiro, especialistas indicam que a resolução completa pode levar ainda alguns anos.

Caso as plataformas percam, mudanças poderão afetar como exibem engajamento de usuários, quem é permitido acessar as plataformas, e mecanismos fundamentais de funcionamento. O YouTube respondeu dizendo que "as alegações simplesmente não são verdadeiras", enquanto o Snapchat afirmou discordar das acusações.

Estado da Califórnia e grupo de 29 estados versus Meta

Advogados da Califórnia e Colorado lideraram uma ação coletiva de 29 estados contra a Meta em 2023, com julgamento marcado para agosto. Os estados acusam a empresa de violar a Lei de Proteção da Privacidade Online das Crianças (COPPA), uma lei federal promulgada em 2000 para proteger menores de 13 anos.

A Meta já forneceu mais de 2 milhões de documentos relacionados a este caso. Os estados exigem que a empresa melhore controles para impedir que menores de 13 anos acessem suas plataformas e remova dados previamente coletados de usuários menores. Essas informações são utilizadas pela Meta para segmentação de anúncios e treinamento de modelos de inteligência artificial.

Menor versus Roblox e Discord

Um adolescente de 13 anos processou Roblox e Discord em um tribunal estadual em San Mateo, Califórnia, alegando ter sido aliciado por um predador sexual através de ambas as plataformas. O homem envolvido foi posteriormente preso por crimes contra mais de vinte crianças.

O processo argumenta que ambas as plataformas foram projetadas com falhas significativas e utilizaram marketing enganoso sobre segurança infantil, merecendo responsabilização pelos danos causados. As empresas tentaram levar o caso para arbitragem, mas o tribunal recusou. O caso está suspenso aguardando recurso das companhias contra essa decisão.

Se as plataformas perderem seus recursos, o julgamento poderá prosseguir ainda este ano. Uma condenação poderia trazer mudanças substanciais nas restrições de idade e na capacidade de estranhos interagirem com usuários jovens através de mensagens privadas e salas de bate-papo.

Forrest versus Meta

Andrew Forrest, bilionário australiano, processou a Meta na Califórnia em 2022 pelo suposto fracasso em combater anúncios fraudulentos que enganam australianos com investimentos falsos proliferados no Facebook usando seu nome e imagem.

Este processo é potencialmente o mais significativo de todos. Forrest está pedindo que o tribunal determine que a Seção 230 da Lei de Decência nas Comunicações não pode ser usada como defesa legal. Esta seção, promulgada em 1996, essencialmente garante imunidade legal às plataformas para qualquer conteúdo nelas publicado.

Se o tribunal decidir a favor de Forrest, isso poderia derrotar décadas de proteções legais das plataformas de mídia social, criando precedentes revolucionários para toda a indústria de tecnologia.

Perspectivas futuras para regulação digital

Entre este ano e o próximo, Meta e outras principais plataformas enfrentarão múltiplos julgamentos onde júris considerarão alegações de usuários jovens, pais, distritos escolares e procuradores estaduais sobre efeitos prejudiciais do design das plataformas.

Adam J. Schwartz, advogado que fundou uma ferramenta de revisão de documentos, identifica esses processos como "casos emblemáticos que definirão o tom e teor para moldar a lei no futuro". Os resultados desses processos promete transformar completamente a forma como as empresas de tecnologia operam, desde questões de privacidade até design de interfaces e responsabilidade legal.

A onda de processos judiciais redes sociais representa um momento histórico onde o sistema judicial americano pode finalmente responsabilizar essas gigantes tecnológicas pelos danos causados a usuários, particularmente crianças e adolescentes, estabelecendo novos padrões para segurança e operações no ambiente digital global.

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