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Daniela Mercury vence como primeira artista de axé

Daniela Mercury vence como primeira artista de axé
Fonte: g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/07/01/daniela-mercury-quebra-barreira-como-a-primeira-artista-de-axe-music-a-ganhar-grammy-latino-pela-excelencia-musical.ghtml

Daniela Mercury quebra barreiras na 27ª edição do Grammy Latino

Daniela Mercury conquistou um feito histórico ao ser agraciada com o Prêmio à Excelência Musical na 27ª edição do Grammy Latino, cerimônia realizada em 9 de novembro em Las Vegas, nos Estados Unidos. A honraria reconhece não apenas a trajetória da artista, mas representa um marco importante para a música de axé, gênero até então nunca representado nessa categoria de prestígio pela Academia Latina de Gravação.

A decisão da Academia Latina de Gravação em homenagear Daniela Mercury com o Prêmio à Excelência Musical situa-se ao lado de outros nomes consagrados que receberam essa láurea, como Ivan Lins, Lulu Santos e Simone entre os brasileiros reconhecidos nos últimos anos. Contudo, a trajetória de Daniela Mercury na música de axé a distingue como pioneira nessa categoria específica, marcando um reconhecimento tardio mas significativo para o gênero que moldou a identidade musical baiana.

Uma carreira de quatro décadas dedicada ao axé

A celebração dessa homenagem coincide com um momento especial na vida artística de Daniela Mercury: a conclusão de quatro décadas de atividade profissional na música. Sua jornada começou em 1986, quando após apresentações em bares de Salvador, na Bahia, integrou o bloco Eva como backing vocal até 1988. Posteriormente, atuou como vocalista da Companhia Clic entre 1989 e 1990, antes de iniciar sua carreira solo em 1991 com o lançamento do álbum que trouxe o samba-reggae "Swing da cor".

Desde o início dos anos 1990, Daniela Mercury ampliou significativamente o alcance do samba-reggae por todo o território brasileiro, levando a música afro-baiana além das fronteiras nacionais. Sua contribuição à discografia do axé inclui álbuns marcantes como "O canto da cidade" (1992), "Feijão com arroz" (1996), "Sol da liberdade" (2000) e "Balé mulato" (2005), consolidando seu nome entre os principais expoentes do gênero.

Permanência fiel ao axé nos anos 2020

O que diferencia Daniela Mercury de outros artistas da era de ouro do axé é sua dedicação contínua ao gênero mesmo após o declínio de sua popularidade massiva. Na década de 2020, lançou três álbuns de estúdio que reafirmaram seu compromisso com o universo musical do axé: "Perfume" (2020), "Baiana" (2022) e "Cirandaia" (2025). Este último álbum merece destaque especial, revelando-se como a produção mais coesa e relevante de sua carreira nos últimos vinte anos.

Em "Cirandaia", Daniela Mercury apresenta faixas como "Axé Salvador" e "É terreiro", mantendo viva a essência do gênero que representa. Através dessas composições, a artista demonstra que, assim como a Bahia, o axé continua vivo, particularmente durante o período carnavalesco, mesmo que o gênero se encontre distante dos seus dias de maior prosperidade comercial e de influência radiofônica.

O ativismo e a valorização da música afro-baiana

Ao longo de suas quatro décadas de carreira, Daniela Mercury enfatizou o ativismo social e promoveu ativamente a música afro-pop-baiana, frequentemente minimizada pelas elites culturais brasileiras. O axé, por sua natureza de expressão musical popular, sempre recebeu tratamento desdenhoso da crítica especializada, apesar de sua enorme capacidade de mobilizar multidões, impulsionadas pelos trios elétricos durante o Carnaval e atraindo públicos para casas de shows.

A música de axé caracteriza-se pelo espírito folião, pela ênfase nos ritmos envolventes e pelas levadas que transcendem barreiras sociais. Essa dimensão democrática do gênero, que toca as populares ruas das cidades baianas e brasileiras, sempre contrariou as preferências das elites musicais, que historicamente privilegiam gêneros considerados "eruditos" ou "sofisticados".

Um reconhecimento histórico para o gênero

A concessão do Prêmio à Excelência Musical a Daniela Mercury pelo Grammy Latino 2026 representa muito mais que uma homenagem individual. Trata-se de um reconhecimento histórico da importância do axé na música brasileira e latino-americana, rompendo barreiras que mantiveram esse gênero afastado das principais premiações internacionais da indústria musical.

Esse feito consolida a posição de Daniela Mercury como porta-voz de uma linguagem musical genuinamente brasileira, que, embora enraizada na tradição baiana e nas influências caribenhas, conquistou espaço no coração do povo e na história cultural do país. A premiação reconhece sua contribuição substancial não apenas através de registros fonográficos relevantes, mas também pela manutenção e revitalização contínua do gênero que ajudou a popularizar internacionalmente.

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