Relatório 365 Dias

Entenda por que alertas da Defesa Civil chegam desigualmente

Entenda por que alertas da Defesa Civil chegam desigualmente
Fonte: g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/06/20/por-que-o-alerta-extremo-da-defesa-civil-chegou-a-alguns-bairros-e-a-outros-nao.ghtml

Como funciona o sistema de alertas desigual

Um dos principais questionamentos que surgiram após o incidente com os alertas da Defesa Civil diz respeito à distribuição irregular das mensagens entre moradores da mesma região. O motivo dessa disparidade nos alertas da Defesa Civil está diretamente relacionado ao funcionamento técnico do sistema utilizado para esse tipo de comunicação emergencial.

A tecnologia empregada é denominada Cell Broadcast, que possibilita o envio de mensagens de emergência para dispositivos móveis conectados à rede celular dentro de uma área geográfica específica. No entanto, esse mecanismo não funciona baseado no endereço físico exato de cada usuário ou na localização precisa do aparelho através de GPS, como ocorre em aplicativos de navegação e mapeamento.

Delimitação de áreas e seleção de zonas

De acordo com especialistas em tecnologia, o operador do sistema responsável pelos alertas da Defesa Civil pode desenhar áreas específicas no mapa para determinar quais usuários deverão receber a mensagem. Alternativamente, é possível selecionar um município completo a partir de uma lista pré-configurada no sistema.

Após essa definição, o alerta é distribuído através das antenas de telefonia celular, tecnicamente chamadas de ERB (Estação Rádio Base), que cobrem aquela região. Essa característica técnica explica por que moradores de bairros distintos dentro da mesma cidade podem vivenciar experiências completamente diferentes ao receber os alertas da Defesa Civil.

Por que bairros vizinhos recebem alertas diferentes

Quando a área demarcada no sistema não abrange a totalidade do município, determinados bairros podem ficar fora do recorte estabelecido para o disparo da mensagem. Essa situação é particularmente evidente em regiões metropolitanas, onde municípios se encontram geograficamente próximos.

Nessas zonas, o mesmo alerta pode ser direcionado para uma cidade específica enquanto outra, mesmo que adjacente, permanece excluída da cobertura. As antenas de telefonia celular não respeitam necessariamente as divisões administrativas entre bairros e municípios, fazendo com que a cobertura técnica ultrapasse as fronteiras políticas estabelecidas.

O papel determinante das antenas na entrega

Um aspecto crucial para compreender a distribuição dos alertas da Defesa Civil é reconhecer que o fator determinante para o recebimento da mensagem é a localização da antena de telefonia celular à qual o aparelho está conectado, e não a localização geográfica precisa do dispositivo móvel em si.

Portanto, um celular recebe o alerta porque está vinculado a uma antena que foi incluída no processo de disparo. Isso significa que uma pessoa posicionada próximo à divisa entre dois municípios pode receber uma mensagem destinada à cidade vizinha, caso seu aparelho esteja sendo atendido por uma antena localizada naquela zona específica.

O cenário inverso também pode ocorrer, embora com menor frequência: um usuário localizado dentro de uma área que teoricamente deveria receber o alerta pode ficar excluído se estiver conectado a uma antena que não foi incluída no recorte do disparo.

Fatores adicionais que impedem o recebimento

Além da delimitação geográfica e da antena conectada, diversos outros elementos podem interferir no recebimento dos alertas da Defesa Civil. Celulares sem sinal no instante do disparo, aparelhos em modo avião ou conectados exclusivamente a Wi-Fi podem não receber a mensagem de emergência.

Equipamentos muito antigos, modelos importados não homologados pela Anatel ou telefones incompatíveis com a tecnologia Cell Broadcast também podem ficar de fora do sistema. Existe ainda a possibilidade de o próprio usuário ter desativado os alertas de emergência nas configurações de seu aparelho.

Em certos casos, celulares sem suporte a VoLTE (tecnologia de voz em redes 4G e 5G) ou conectados a antenas desprovidas desse recurso podem deixar de receber a mensagem se estiverem em uma chamada telefônica prolongada no momento do disparo.

Limitações do sistema de auditoria

É importante destacar que o sistema permite auditoria posterior sobre quais antenas receberam a mensagem, em qual data e horário, assim como a distribuição do alerta para os celulares conectados a elas naquele período. No entanto, existe uma limitação significativa: não há um recibo individual de entrega em cada aparelho.

Isso significa que é possível identificar quais antenas foram acionadas e quais regiões foram alcançadas tecnicamente através dos alertas da Defesa Civil, mas não necessariamente confirmar, celular por celular, quem efetivamente visualizou ou recebeu o aviso. Essa distinção é fundamental para compreender a variabilidade na experiência dos usuários.

Como o sistema não exige pré-cadastro

É relevante mencionar que os alertas da Defesa Civil não dependem de internet, aplicativo ou registro prévio do usuário. O sistema foi desenvolvido para funcionar exclusivamente pela rede móvel, sem requerer que o usuário baixe um aplicativo ou se inscreva em uma base de dados centralizada.

Essa característica torna o mecanismo de alertas mais acessível e independente, mas também contribui para a impossibilidade de rastreamento individual de entrega. A tecnologia Cell Broadcast funciona como um sistema de broadcast tradicional, atingindo todos os aparelhos conectados às antenas selecionadas, sem confirmação individual de recebimento.

Incidente de invasão e investigação

No caso específico do alerta indevido enviado na madrugada de sexta para sábado com a palavra "misantropia", a Defesa Civil Nacional informou que a plataforma foi retirada do ar após sofrer uma invasão hacker. O disparo foi realizado remotamente por alguém externo ao Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil.

A investigação sobre qual área foi selecionada no sistema durante o ataque será possível apenas através da análise do histórico de comandos da plataforma, o que poderá confirmar por que os alertas da Defesa Civil chegaram a algumas regiões e não a outras, mesmo em cidades adjacentes.

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