Relatório 365 Dias

Fachin terá nova postura sobre julgamento de Moraes, diz jurista

Fachin terá nova postura sobre julgamento de Moraes, diz jurista
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Incerteza paira sobre sessão de quarta-feira no STF

O julgamento de Moraes enfrenta um impasse processual que deixa em aberto os rumos da sessão plenária marcada para a próxima quarta-feira (23). Conforme análise do jurista Gustavo Sampaio, a falta de definição sobre se os casos de Alexandre de Moraes e André Mendonça serão analisados conjuntamente ou separadamente coloca o presidente da Corte, Edson Fachin, em situação delicada. Se a pauta for mantida, o plenário precisará retomar discussões que permaneceram inconclusas na sessão de terça-feira (15).

Divergência suspende análise de relatório da Polícia Federal

O presidente Fachin havia agendado para apreciação o relatório da Polícia Federal investigando a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O documento, tornado público por André Mendonça, seria central na sessão. Contudo, antes de chegar ao mérito da questão, uma controvérsia processual tomou conta dos trabalhos: ministros discutiram intensamente se os dois casos deveriam ser julgados em conjunto ou de forma separada.

Quando a votação sobre esse ponto processuais atingiu o placar de quatro votos pela separação contra três pela análise conjunta, o ministro Flávio Dino pediu vista dos autos, suspendendo temporariamente o julgamento. Essa interrupção deixa indefinido o caminho que o processo seguirá.

Sampaio aponta posição incômoda para Fachin

Em entrevista concedida à GloboNews, Gustavo Sampaio, renomado jurista, foi claro ao avaliar a situação do ministro presidente. "A posição do ministro Fachin, devo dizer, não é uma posição nada confortável — muito longe disso", afirmou. Na avaliação do especialista, a circunstância coloca Fachin diante de uma encruzilhada institucional de grande complexidade.

O jurista destacou que Fachin necessariamente terá de adotar uma nova postura quanto aos procedimentos da sessão de quarta-feira. "O ministro Fachin fatalmente terá que tomar uma nova postura a respeito do dia 23. Eu estou acreditando que, até lá, alguma notícia nós receberemos da presidência do Supremo Tribunal Federal em torno disso, mas ainda é aguardar", declarou Sampaio à emissora.

Múltiplas questões ainda pendentes no julgamento de Moraes

Para Sampaio, a indefinição sobre manter ou retirar o caso da pauta representa apenas uma das dificuldades que o STF enfrentará. O especialista ressaltou que várias matérias substantivas continuam em aberto e exigirão deliberação cuidadosa do plenário.

Entre essas questões, destaca-se a necessidade de discutir a validade do conjunto probatório que fundamenta as acusações contra Moraes. Além disso, o tribunal precisará decidir se autoriza a abertura de investigação contra um de seus próprios integrantes, questão que toca aspectos sensíveis de autonomia e independência da Corte.

"O apanhado geral de todas as provas e de como elas surgiram, na medida em que há uma representação para o Plenário discutir, o Plenário precisa ter autoridade para decidir se autoriza ou não investigação em desfavor de um dos seus membros", pontuou o jurista.

Flávio Dino e o prazo de devolução da vista

Conforme avaliação de Sampaio, o ministro Flávio Dino, que solicitou a vista, poderá tentar abreviar o período regulamentado para devolvê-la. Teoricamente, Dino dispõe de até 90 dias para se posicionar sobre o processo. Caso ultrapasse esse prazo, o caso é automaticamente liberado para retornar à pauta.

"Se isso vai extrapolar o processo eleitoral, não sabemos, mas talvez encurte o tempo de devolução da vista", comentou Sampaio, ressaltando a complexidade temporal envolvida no procedimento.

O problema da corte com número par de ministros

Ao encerrar sua análise, o jurista abordou uma questão estrutural que complica ainda mais o cenário. Uma vez restituída a vista por Dino, o plenário ainda terá de lidar com possível empate de quatro votos a quatro. Esse impasse resulta da rejeição, pelo Senado Federal, da indicação do advogado-geral da União Jorge Messias para integrar o Supremo Tribunal Federal.

"De todo modo, uma vez restituída a vista, ainda se vai discutir a questão do empate de quatro a quatro. Esse é o problema: nós estarmos com uma corte de composição par", finalizou Sampaio, apontando para o desafio institucional que se avizinha no julgamento de Moraes e suas repercussões para a própria dinâmica do STF.

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