Flávio Bolsonaro critica canal de Lula e pede ação da Justiça Eleitoral

Acusações de campanha contra canal de Lula
O senador Flávio Bolsonaro manifestou-se contra a utilização de um canal no WhatsApp pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, denunciando práticas de disseminação sistemática de desinformação. Durante evento em São Paulo neste domingo, Bolsonaro criticou veementemente o que chamou de "estrutura de divulgação de mentiras em massa", pedindo que a Justiça Eleitoral tome medidas mais ágeis contra o canal Exército do Lula.
A disputa envolve o "Exército do Lula", plataforma que funciona como instrumento de mobilização digital. Segundo o candidato da oposição, essa estrutura representa um abuso de poder comunicacional que prejudica a campanha e confunde eleitores com conteúdo inverídico. Flávio Bolsonaro enfatizou sua preocupação com a propagação de alegações falsas, citando especificamente boatos de que sua administração terminaria com programas sociais fundamentais.
Decisão do TSE e desdobramentos judiciais
O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, determinou no domingo a suspensão do canal Exército do Lula, atendendo solicitação da campanha de Flávio Bolsonaro. A decisão fundamentou-se na constatação de que o canal utilizava "estrutura de transmissão a milhões de pessoas, sob comando único, para replicar conteúdos que esta Corte já reconheceu como inverídicos".
Contudo, a medida teve curta duração. O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, reabilitou preliminarmente o funcionamento da plataforma. A decisão permanece provisória e será submetida à apreciação do plenário completo do TSE, gerando incerteza sobre o futuro do Exército do Lula.
Características e coordenação do canal disputado
Coordenado pelo deputado eleito André Janones, representante da sigla Rede por Minas Gerais, o canal Exército do Lula acumula mais de 3 milhões de inscritos. Sua proposta consiste em compartilhar conteúdos multimídia, incluindo áudios, vídeos e orientações destinadas aos apoiadores de Lula, funcionando como mecanismo centralizado de comunicação política.
Flávio Bolsonaro questionou a proporção e a estrutura dessa mobilização, argumentando que o controle unificado sobre milhões de receptores viola princípios éticos de campanha. Ele afirmou: "Os caras criaram até um canal de divulgação de mentiras em massa. É um absurdo. E, como foi dito, algumas pessoas acreditam nisso, que o Flávio vai acabar com a luz do sol, e tem gente que acredita, né?"
Críticas ao discurso da campanha petista
O senador expandiu suas críticas para além do canal específico, condenando o que caracterizou como estratégia sistemática de desinformação do Partido dos Trabalhadores. Bolsonaro comparou a situação governamental com o comportamento eleitoral, sustentando que a mentira constitui elemento estrutural do posicionamento político petista.
"Hoje, o principal instrumento que nós temos é a comparação. De um lado, um governo mentiroso. É uma coisa que causa uma revolta, a quantidade de mentiras que eles tão inventando, e é de propósito, é estratégia de campanha a mentira. O PT chega ao governo com a mentira. O PT tenta se sustentar no poder com a mentira", declarou o candidato durante o encontro em São Paulo.
Defesa de programas sociais e posicionamento econômico
No mesmo evento realizado no Shopping Light, no Centro de São Paulo, Flávio Bolsonaro desmentiu alegações sobre possíveis cortes em benefícios sociais. Ele reafirmou o comprometimento com a manutenção do Bolsa Família, programa que, segundo suas declarações, foi significativamente expandido pela administração anterior.
"Não vai ter fim de Bolsa Família, foi o [ex-presidente Jair] Bolsonaro que triplicou o valor do Bolsa Família. Como é que alguém está pensando em acreditar que nós acabaríamos com isso? É mentira", argumentou. Adicionalmente, o senador comprometeu-se com a continuidade da política de valorização do salário mínimo acima da inflação, buscando neutralizar críticas quanto aos direitos trabalhistas.
Mobilização de aliados políticos e perspectivas eleitorais
O evento em São Paulo contou com presença significativa de lideranças políticas alinhadas com Bolsonaro. O governador reeleito Tarcísio de Freitas, filiado aos Republicanos, e os senadores eleitos André do Prado e Guilherme Derrite compareceram ao encontro organizado pelo prefeito Ricardo Nunes.
Flávio manifestou otimismo quanto às perspectivas para as eleições de 2026, considerando o cenário "favorável" a sua candidatura. Entretanto, alertou seus apoiadores sobre a necessidade de manutenção do engajamento político: "Essas pessoas que já votaram em nós, precisamos trabalhar para que elas vão às urnas no domingo [dia 25, segundo turno das eleições] de novo", afirmou o candidato, enfatizando a importância da mobilização contínua na campanha.




