Greve do Banco do Brasil é suspensa em maioria de cidades

Maioria das bases sindicais aprova acordo e encerra movimento paredista
A greve do Banco do Brasil chega ao fim em grande parte do território nacional após aprovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) pela maioria das entidades representativas dos funcionários. A decisão, consolidada na sexta-feira (11), marca importante avanço na negociação que começou dias antes, quando parte dos sindicatos rejeitava a proposta inicial apresentada pela instituição financeira.
A aprovação da greve do Banco do Brasil em múltiplas bases significa que as principais regiões do país, responsáveis pela representação de milhares de trabalhadores, aceitaram os termos negociados. Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Pernambuco, Porto Alegre, Mato Grosso, Florianópolis, Alagoas, ABC Paulista, Rondônia, Sergipe e Campinas ratificaram o acordo em assembleias extraordinárias.
Conforme informações da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), o cenário modificou-se significativamente em menos de 24 horas. Nesta quinta-feira (10), quando iniciou-se a paralisação por tempo indeterminado, justamente as regiões que agora aprovaram o acordo eram os principais focos de resistência à proposta.
Dinâmica das assembleias sindicais e decisões descentralizadas
A estrutura de negociação do Banco do Brasil permite que cada base sindical tome decisões autônomas sobre a aceitação ou rejeição de propostas. Este modelo descentralizado explica por que a greve do Banco do Brasil não é nacional, mas concentrada em locais específicos. Cerca de 18 entidades sindicais mantêm posição de rejeição ao acordo e prosseguem com as manifestações.
As bases que aprovaram o Acordo Coletivo de Trabalho assinaram os documentos e retomaram as atividades normalmente. Aquelas que continuam rejeitando a proposta, como Angra dos Reis e bases da Bahia, permanecem mobilizadas. A representação sindical apontou que ainda não havia consolidação completa de todos os resultados, mas a tendência era que a maioria mantivesse a paralisação enquanto avaliava próximas estratégias.
O que mudou nas últimas horas da negociação
Na primeira rodada de assembleias sobre o Acordo Coletivo de Trabalho específico do Banco do Brasil, 39 bases aprovaram enquanto 60 rejeitavam a proposta. Este cenário adverso levou ao início da greve do Banco do Brasil, concentrada justamente nas regiões que não haviam apoiado o acordo. Menos de um dia depois, novas assembleias foram convocadas e o resultado se inverteu.
Segundo Fernanda Lopes, coordenadora da CEBB, este resultado representava o fruto de um processo de negociação marcado por intensa participação e mobilização dos trabalhadores. As novas discussões permitiram que os funcionários compreendessem melhor os termos conquistados e revertessem suas posições iniciais.
Principais conquistas incluídas no acordo aprovado
O Acordo Coletivo de Trabalho aprovado pela maioria das bases inclui reposição integral da inflação medida pelo INPC, acrescida de aumento real de 0,6% distribuído ao longo de dois anos. Este reajuste também se aplica a benefícios como vale-alimentação, vale-refeição, Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e auxílios diversos.
Entre os avanços sociais previstos, destaca-se o crédito da PLR em até 72 horas após a assinatura do Acordo Coletivo de Trabalho por todas as bases. Os funcionários também recebem reconhecimento financeiro de R$ 3 mil para o público definido na Campanha de Adimplência 2026. O Plano de Carreira e Remuneração (PCR) foi reformulado com melhorias significativas.
A licença-paternidade foi ampliada para 35 dias, beneficiando colaboradores em seu direito à paternidade. A proposta prevê ainda melhorias específicas para pessoas com deficiência, implementação de ações afirmativas e inclusão de cláusulas voltadas para questões sociais contemporâneas.
Inovações relacionadas a bem-estar e direitos digitais
Além de benefícios financeiros, o Acordo Coletivo de Trabalho incorpora medidas ligadas à saúde mental dos funcionários, um ponto cada vez mais relevante no ambiente corporativo. O acordo inclui combate estruturado ao assédio moral e sexual, com protocolos claros para denúncias e investigações.
Importante conquista refere-se ao direito à desconexão fora do horário de trabalho, reconhecendo a necessidade de separação entre vida profissional e pessoal. O documento também estabelece regras de transparência e limites para monitoramento digital dos colaboradores, protegendo a privacidade.
Contexto diferente da negociação geral bancária
É fundamental compreender que a greve do Banco do Brasil ocorre em nível diferente da negociação mais ampla da categoria. A Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que vale para aproximadamente 414 mil bancários de 171 instituições, foi negociada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e assinada na quarta-feira (9).
Este acordo geral engloba 245 entidades sindicais em todo o país e inclui os mesmos benefícios citados: reposição integral da inflação pelo INPC mais 0,6% de aumento real, medidas de saúde mental, combate ao assédio, direito à desconexão e regras de transparência quanto ao monitoramento digital.
No caso específico do Banco do Brasil, porém, ainda era necessária aprovação de cláusulas adicionais negociadas diretamente com a instituição. Este é o Acordo Coletivo de Trabalho que gerou a greve do Banco do Brasil e que agora foi aprovado pela maioria das bases.
Regiões que mantêm a paralisação e próximas etapas
Mesmo com a aprovação generalizada, a greve do Banco do Brasil prossegue em locais que mantêm rejeição à proposta. A autonomia sindical permite que cada base decida independentemente sobre manutenção ou encerramento do movimento. As entidades que rejeitaram o acordo estudam novas estratégias para pressionar por modificações ou retomada de negociações.
Representantes da categoria informaram que as bases recusatárias deverão realizar novas assembleias nos próximos dias. Algumas defendem reabertura completa das negociações com o banco, enquanto outras exploram formas de pressionar por mudanças específicas na proposta atual. O abono referente à paralisação de 20 de agosto também foi incorporado ao acordo, beneficiando todos os funcionários.
A situação apresenta contraste significativo com a Caixa Econômica Federal, onde a greve permanece nacional após rejeição de mais de 90% das bases sindicais. Ali, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) continua negociando questões específicas da instituição, especialmente relacionadas ao Saúde Caixa.




