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Jessé relembrado em álbum de Moisés Navarro 33 anos após morte

Jessé relembrado em álbum de Moisés Navarro 33 anos após morte
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

O legado do cantor Jessé revisitado por Moisés Navarro

O cantor Jessé, nascido como Jessé Florentino Santos em Niterói, Rio de Janeiro, segue sendo celebrado através de novas gerações de artistas brasileiros. Moisés Navarro, músico mineiro, dedica seu novo álbum 'Alguém cantando' justamente ao legado deixado por Jessé, falecido há 33 anos em acidente automóvel próximo à cidade de Ourinhos, no interior de São Paulo. Este trabalho discográfico representa uma iniciativa louvável de manter viva a memória daquele que foi uma figura importante da música popular brasileira nas décadas de 1980 e 1990.

A homenagem chega ao público em edição da Companhia de Discos do Brasil, com lançamento previsto para 13 de novembro. O álbum reúne dez faixas cuidadosamente selecionadas do vasto repertório de Jessé, cada uma delas recebendo novos arranjos musicais do pianista e diretor musical Alexandre Vianna. Essa escolha reinterpreta clássicos consagrados sob uma perspectiva contemporânea, permitindo que ouvintes atuais descubram ou redescubram a qualidade das composições que marcaram época.

A trajetória de Jessé no cenário musical brasileiro

Jessé Florentino Santos nasceu em 25 de abril de 1952, em Niterói, Rio de Janeiro, entrando em cena há aproximadamente 50 anos quando adotou pseudônimos em inglês, seguindo a tendência comum entre artistas brasileiros dos anos 1970. Inicialmente conhecido como Christie Burgh, depois Tony Stevens, o cantor fluminense apenas consolidou sua carreira quando apresentou seu próprio nome, Jessé, no Festival MPB-80, promovido pela televisão Globo.

Naquela ocasião histórica de 1980, Jessé apresentou a música 'Porto solidão', composição de Zeca Bahia inspirada em versos do poeta Antonio Ginco, conhecido como Gincko. A apresentação resultou em um dos maiores sucessos daquele festival, transformando completamente a vida do artista e abrindo portas em sua carreira que se estenderia por aproximadamente uma década até seu falecimento prematuro.

Porto solidão e o pico de popularidade

A canção 'Porto solidão' tornou-se verdadeiro divisor de águas na carreira de Jessé. Após seu sucesso no Festival MPB-80, o cantor fluminense lançou seu primeiro álbum em 1980, aproveitando o momentum gerado pela música que o projetou nacionalmente. Neste disco inaugural, outras composições também ganharam espaço, como 'Campo minado' e 'Voa, liberdade', ambas assinadas por Mário Maranhão em parceria com colaboradores diversos.

O artista consolidou sua presença discográfica através de registros posteriores. Em 1982, lançou o álbum autointitulado 'Jessé', que included músicas como 'Onde está você' e 'Solidão de amigos'. Dois anos depois, em 1983, apresentou o duplo ao vivo 'O sorriso ao pé da escada', resultado de um show que compilava sucessos acumulados. Posteriormente, em 1987, regravou 'Alguém cantando', composição de Caetano Veloso originalmente lançada em 1977 no álbum 'Bicho', consolidando sua interpretação deste clássico da música popular brasileira.

Os últimos registros antes da tragédia

O penúltimo álbum de Jessé, denominado 'Eterno menino' de 1997, representava sua evolução artística contínua, apresentando interpretações amadurecidas de peças consagradas. Seu trabalho final, 'Raízes' lançado em 1992, apenas um ano antes de sua morte, trazia 'Paz do meu amor', uma composição de Luiz Vieira datada de 1963 que completava seu trajeto musical.

Em 29 de março de 1993, Jessé faleceu aos 40 anos em consequência de acidente automóvel em rodovia próxima a Ourinhos, São Paulo, truncando uma carreira que ainda apresentava potencial de evolução. Desde então, relembranças esporádicas mantêm seu trabalho em circulação entre conhecedores da música brasileira e pesquisadores do gênero.

O tributo de Moisés Navarro e a questão do repertório

O álbum 'Alguém cantando' de Moisés Navarro apresenta uma seleção que, embora respeitável em intenção, gera questionamentos quanto à composição do repertório. Mais da metade das dez faixas escolhidas não permanece firmemente associada na memória coletiva à interpretação distintiva de Jessé, o que representa certo enfraquecimento da homenagem.

Entre as peças menos diretamente conectadas ao trabalho individual de Jessé encontram-se 'A noite do meu bem', composição de Dolores Duran de 1959; 'Romaria', de autoria de Renato Teixeira datada de 1977; e 'Irmãos da lua', também de Teixeira e lançada em 1982. Embora Jessé tenha interpretado estas músicas em sua apresentação ao vivo capturada no duplo 'O sorriso ao pé da escada' de 1983, não constituem seu marca registrada reconhecida pelo público maior.

Arranjos e interpretação no álbum homenagem

O pianista e arranjador Alexandre Vianna assumiu a responsabilidade de reconfigurar as dez composições sob uma ótica contemporânea. Este trabalho de reinterpretação representa tentativa legítima de aproximar o repertório de Jessé aos ouvintes atuais, utilizando linguagem musical mais próxima do presente.

Algumas participações especiais enriquecem a proposta: Claudya participa em dueto na reinterpretação de 'Porto solidão', enquanto 'Solidão de amigos' conta com a presença de Zeca Baleiro e Chico Lobo em colaboração vocal. Estas escolhas demonstram intenção de Navarro em criar conversas entre gerações de músicos brasileiros.

O significado histórico da homenagem

Independentemente das considerações sobre seleção de repertório, a iniciativa de Moisés Navarro representa reconhecimento importante da contribuição de Jessé ao cenário musical brasileiro. Trinta e três anos após sua morte precoce, sua música continua merecendo espaço em produções contemporâneas, evidência clara de qualidade e relevância duradoura de seu trabalho artístico.

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