Tarcísio afirma não consultar partidos para nomeações

Governador defende política de nomeações técnicas
O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reafirmou em evento na Vila Leopoldina, zona oeste da capital, que sua administração não realiza consultas a partidos para efetuar nomeações. De acordo com Tarcísio, a decisão de não consultar partidos representa uma mudança significativa na forma de preencher cargos no governo estadual, mantendo um secretariado baseado exclusivamente em critérios técnicos.
Durante coletiva com jornalistas, o governador enfatizou que essa estratégia foi adotada desde o início de sua gestão como regra fundamental. Tarcísio reconheceu que essa postura gerou críticas de setores políticos tradicionais, mas mantém a posição como essencial para a qualidade da administração.
Distância da política como estratégia de governo
Tarcísio explicou que a escolha de manter maior distância dos processos políticos convencionais fez parte de sua proposta administrativa. O governador afirmou ter enfrentado críticas por não seguir a prática tradicional do sistema político, onde partidos têm influência direta em indicações para cargos públicos.
"Eu fui bastante criticado por isso até, por manter em algum momento, em alguma medida, uma certa distância da política, ou não fazer as coisas como a política estava acostumada", ressaltou o governador. Essa abordagem, segundo Tarcísio, reflete o compromisso com a eficiência administrativa e a seleção de profissionais qualificados.
Critérios técnicos nas indicações
O governador citou a nova legislação das agências reguladoras como exemplo prático da aplicação de critérios técnicos nas nomeações. Segundo Tarcísio, essa metodologia garante que as pessoas indicadas possuam qualificação específica para as funções que irão exercer.
"Eu não faço consulta a partido para colocar pessoas em determinadas posições", afirmou de forma categórica. O governador destacou que essa prática diferencia sua gestão de administrações anteriores, onde as indicações políticas predominavam nas estruturas do governo.
Relação com Milton Leite classificada como institucional
Quando questionado especificamente sobre sua ligação com Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Tarcísio classificou o relacionamento como puramente institucional. O governador explicou que os contatos com Leite ocorriam para discussão de questões técnicas relacionadas à infraestrutura e saneamento.
"Ele [Milton Leite] não tinha nenhuma posição no governo do estado", esclareceu Tarcísio. O governador listou diversos projetos que foram discutidos com Leite, incluindo obras na região sul da capital, questões envolvendo a Represa de Guarapiranga, a Rodovia Régis Bittencourt e a Estrada do M'Boi Mirim.
Entre os assuntos tratados também figuraram iniciativas de saneamento básico e a extensão do trem até Parelheiros. Segundo o governador, esses temas representam a natureza técnica e administrativa das conversas mantidas com o ex-presidente da Câmara.
Transparência na investigação contra Milton Leite
Ao comentar sobre a operação que investiga possível envolvimento de Milton Leite com o Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de transporte público, Tarcísio ressaltou que instituições devem agir com imparcialidade.
"Temos aqui uma polícia de Estado, mas temos um Ministério Público de Estado. A gente não tem aqui, não existe aliado, adversário, não existe partido A, partido B, pessoa A, pessoa B", declarou o governador. Essa afirmação representa a posição oficial do governo sobre a investigação em curso.
Tarcísio argumentou que quando indícios e fatos surgem, eles merecem investigação apropriada, com respeito aos direitos de defesa dos envolvidos. "A partir do momento que há indícios, há fatos que precisam, que merecem ser investigados e pessoas têm que prestar seus esclarecimentos, respeitadas as garantias funcionais do contraditório e amplo direito de defesa, essas pessoas vão ter que responder por aquilo, pelos atos que fizeram", complementou.
Contexto da investigação da Operação Vectura Corrupta
Milton Leite se entregou à polícia na tarde de sexta-feira em delegacia de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, em resposta a mandado de prisão temporária emitido pela Operação Vectura Corrupta. A investigação conduzida pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apura suspeitas de ligação entre Leite e operações do PCC no transporte público paulista.
Os investigadores apontam indícios de participação de Milton Leite na operação de empresas supostamente controladas pela facção criminosa. De acordo com a investigação, Leite seria o proprietário de fato da empresa Transwolff. A defesa da empresa nega qualquer vínculo societário ou gerencial de Milton com a companhia.
Milton Leite informou que estava viajando quando do cumprimento do mandado e que compareceria para provar sua inocência. Na sexta-feira, o ex-presidente da Câmara apresentou-se acompanhado de seu advogado, exercendo seu direito de defesa conforme garantias constitucionais.




