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Témiscaming enfrenta ameaça de tarifas de Trump

Témiscaming enfrenta ameaça de tarifas de Trump
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

A Cidade Ameaçada pelas Tarifas de Trump

Témiscaming, uma pequena cidade no Quebec, enfrenta uma das maiores ameaças à sua existência econômica desde sua fundação há mais de um século. As tarifas de Trump impostas aos produtos canadenses atingem em cheio a economia local, que depende quase integralmente da operação de uma fábrica de papel. A paralisação indefinida da unidade, após o fracasso nas negociações comerciais entre Canadá e Estados Unidos, deixou centenas de trabalhadores desempregados e a comunidade à beira do colapso econômico.

A fábrica de papel de Témiscaming funciona como coração pulsante da cidade há 130 anos. Desde o rio Ottawa, a estrutura do moinho domina completamente a paisagem, rodeada pelas florestas de pinheiros, bétulas e abetos que caracterizam a região. A maioria dos 360 funcionários que trabalhavam na unidade agora está desempregada, dependendo do programa de alívio tarifário do governo federal. Para os moradores, a situação ultrapassa questões financeiras, representando a ameaça de extinção de um modo de vida inteiro construído em torno das atividades industriais florestais.

O Impacto Imediato nos Trabalhadores e na Economia Local

Nadine Suley, como muitos residentes de Témiscaming, vê a crise trazida pelas tarifas de Trump como um ataque pessoal à sua comunidade. Ela não compartilha a cultura urbana típica, preferindo aproveitar a caça aos alces e outras atividades tradicionais. Segundo ela, as medidas comerciais americanas afetam não apenas o emprego, mas a essência da vida que construiu em Témiscaming. Os imóveis da cidade despencaram de valor rapidamente após o anúncio do fechamento da fábrica pela empresa americana RYAM, em outubro.

Placas de venda se multiplicam nas casas modestas de classe média que caracterizam a cidade. O temor permeia toda a comunidade: profissionais essenciais como funcionários de supermercados e médicos dos hospitais locais também podem sair em busca de oportunidades em outras localidades. Ronnie Raymond, membro de uma família de trabalhadores da fábrica há gerações, expressa a preocupação coletiva: se o moinho fechar definitivamente, Témiscaming se transformará em uma cidade fantasma. Sem a indústria principal, não restará praticamente nenhuma oportunidade de emprego para a população.

As Tarifas de Trump e Seus Efeitos Econômicos Globais

Em agosto, após fracasso nas negociações comerciais, o governo Trump implementou tarifas de 50% sobre aproximadamente 28 bilhões de dólares canadenses em produtos, incluindo papel, celulose e artigos de papelaria. A fábrica de Témiscaming envia cerca de 75% de sua produção para mercados americanos, tornando-a particularmente vulnerável às tarifas de Trump. O Canadá respondeu com retalição equivalente, criando uma guerra comercial que prejudica principalmente comunidades pequenas dependentes de indústrias específicas.

Enquanto a taxa de desemprego nacional canadense permanece estável em torno de 6,5%, a análise detalhada revela focos de extrema dificuldade em setores diretamente afetados pelas tarifas americanas. Aço, alumínio, automóveis e produtos florestais sofrem impactos significativos. A fábrica de Témiscaming produz papelão para embalagens de alimentos congelados e bilhetes de loteria, produtos essenciais no mercado norte-americano. A economia canadense resiste no geral, mas cidades como Témiscaming enfrentam desastres econômicos localizados.

Mobilização Local e Esperança de Recompra

Diante da crise, os trabalhadores e moradores de Témiscaming buscam repetir um feito histórico. Em 1973, quando a fábrica foi ameaçada de fechamento por seu antigo proprietário americano, funcionários e gestores locais se uniram e compraram coletivamente a empresa. Transformaram-na na Tembec, companhia quebequense internacional com operações na América do Norte e França. Agora, uma nova coalizão tenta recomprar a fábrica da RYAM, que a adquiriu em 2017.

Stéphane Lefebvre, funcionário e líder sindical cuja família trabalhou na fábrica por três gerações, encabeça os esforços de mobilização. Ele afirma que é preciso que o raio caia duas vezes no mesmo lugar, mas reconhece que isso requer apoio significativo do primeiro-ministro Mark Carney e do governo de Quebec. Frank Dottori, aos 80 anos, que liderou a compra na década de 1970 como engenheiro e posteriormente diretor-executivo, oferece perspectiva histórica. Ele argumenta que a nova geração precisa de líderes igualmente ousados e que as tarifas de Trump precisam ser suspensas para viabilizar economicamente a operação da fábrica a longo prazo.

Resposta Governamental Insuficiente?

Críticos apontam que o governo Carney dá atenção desproporcional a outros setores afetados pelas tarifas de Trump. Quando a siderúrgica Stelco em Hamilton ameaçou demitir 500 funcionários, a ministra da Indústria Mélanie Joly ameaçou sanções financeiras. No entanto, o setor florestal recebe tratamento menos agressivo, segundo trabalhadores locais. O governo anunciou quase 9 bilhões de dólares canadenses em investimentos para siderurgia e indústria automóvel em Ontário, mas para o setor florestal apenas 400 milhões foram disponibilizados.

Sébastien Lemire, deputado do Bloc Québécois, manifestou preocupação com a falta de ação específica do governo para Témiscaming e a indústria florestal quebequense. Um porta-voz da ministra Joly afirmou que o governo trabalha ativamente com todas as partes para encontrar solução viável, ao mesmo tempo que administra responsavelmente os recursos públicos. Nadine Suley questiona a consistência, pois o primeiro-ministro enfatizou a importância de comprar produtos locais e apoiar trabalhadores canadenses, mas a cidade não vê medidas concretas.

Perspectivas Futuras e Esperança Limitada

O prefeito Alain Gauthier descreve as tarifas de Trump como uma bomba destinada a acabar com a produção industrial canadense. Ele reclama que o Canadá, embora diga estar em guerra econômica, não demonstra evidência de medidas de guerra adequadas. Gauthier compara os esforços canadenses a tentar se defender com pistolinhas de água infantis. Ele solicita que o governo federal responda com tarifas sobre produtos de papelão importados dos Estados Unidos, que atualmente entram no Canadá sem cobranças.

Muitos trabalhadores depositam esperanças nas próximas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, acreditando que resultados desfavoráveis a Trump aumentarão pressão para reduzir as tarifas impostas ao Canadá. Há sinais de que o governo Trump considera essa pressão: alguns produtos canadenses tiveram tarifas suspensas após articulação da senadora republicana Susan Collins do Maine. No entanto, os produtos fabricados em Témiscaming não foram contemplados pelas suspensões.

A Corrida Contra o Tempo

Enquanto isso, trabalhadores se preocupam com a chegada do inverno. Temperaturas abaixo de zero podem congelar equipamentos da fábrica paralisada, causando danos que tornaria ainda mais difícil uma eventual reabertura. Suley e seus colegas esperam que uma solução seja encontrada rapidamente. Lefebvre permanece determinado a realizar o sonho de devolver a fábrica aos moradores, independentemente do que aconteça. Como ele afirma, estão agora no jogo decisivo: vão jogar até o apito final, lutando pela sobrevivência econômica de Témiscaming contra as tarifas de Trump e a incerteza do futuro comercial.

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