Relatório 365 Dias

Trump ameaça novo ataque ao Irã se Hezbollah não for contido

Trump ameaça novo ataque ao Irã se Hezbollah não for contido
Fonte: g1.globo.com/mundo/noticia/2026/06/21/trump-diz-que-voltara-a-atacar-o-ira-se-hezbollah-nao-for-contido.ghtml

Ameaça de Trump contra o Irã em contexto de negociações

O presidente americano Donald Trump reiterou neste domingo (21) sua disposição em voltar a atacar o Irã caso o governo iraniano não contenha as operações do Hezbollah contra Israel. Através da rede social Truth Social, Trump declarou que Teerã deve "impedir imediatamente que seus aliados bem pagos no Líbano causem problemas", advertindo que os EUA reabrirão ofensivas militares com "ainda mais força" se essa exigência não for atendida.

As declarações de Trump chegam em meio a um contexto delicado nas relações entre Washington e Teerã. Enquanto o presidente americano ameaça retaliação, o vice-presidente americano JD Vance participa de negociações de alto nível em Zurique, sinalizando uma tentativa simultânea de diálogo e pressão diplomática.

Negociações nucleares iniciam em Zurique

Neste mesmo domingo, iniciaram-se negociações oficiais entre Estados Unidos e Irã sobre o programa nuclear iraniano. O vice-presidente Vance compareceu ao encontro acompanhado de Jared Kushner, genro de Trump e figura chave nas negociações com Teerã, além de Steve Witkoff, enviado especial para o Oriente Médio.

Do lado iraniano, a delegação inclui o chanceler Abbas Araqchi, o presidente do Parlamento e chefe negociador Mohammad Bagher Qalibaf, e Abdolnaser Hemmati, governador do Banco Central do Irã. Essas negociações representam o primeiro encontro de alto escalão desde o acordo firmado na semana anterior para encerrar a guerra na região.

Vance afirmou que chegou às conversas com um mandato direto de Trump para "virar a página" e transformar as relações com o Irã em bases mais construtivas. O vice-presidente estadunidense ressaltou que os EUA veem um futuro de paz com a nação persa e acreditam que ambos os países podem avançar "juntos" em direção à estabilidade regional.

Memorando de entendimento e cronograma

Um memorando assinado na semana anterior estabelece um prazo de 60 dias para alcançar um acordo final focado no programa nuclear iraniano e na suspensão das sanções econômicas contra o país. As negociações preparatórias começaram oficialmente neste domingo, com conversas técnicas previstas para segunda-feira entre especialistas iranos e americanos, com participação de representantes mediadores do Catar e Paquistão.

O presidente iraniano Masoud Pezeshkian expressou esperança de que as negociações evoluam significativamente: "Espero que os envolvidos nas negociações consigam fazer o processo avançar com sucesso".

Tensões sobre cumprimento do protocolo

Porém, as tensões diplomáticas permanecem elevadas. O porta-voz da diplomacia iraniana alertou os Estados Unidos que o protocolo de entendimento estará "em risco" se suas disposições não forem implementadas rapidamente. Esta advertência refere-se especificamente à situação no Líbano, onde Israel e o Hezbollah continuam se enfrentando apesar do cessar-fogo.

Em resposta aos ataques israelenses no sul libanês, o comando militar central do Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais críticas para o transporte global de petróleo e gás. O comunicado militar classifica a ação como primeira resposta ao "descumprimento das promessas" por parte de Israel e adverte que "novas medidas serão planejadas" caso a agressão continue.

Situação no Líbano permanece instável

Autoridades do Exército israelense informaram que receberam ordens da cúpula política para interromper operações ofensivas no sul do Líbano, restringindo as ações a defesa reactiva dentro da zona de segurança. Contudo, a mídia estatal libanesa documentou ataques aéreos israelenses em aproximadamente 20 localidades, resultando em mais de 30 mortos.

Desde 2 de março, quando iniciou o conflito entre Israel e Hezbollah, os bombardeios israelenses no Líbano provocaram 4.057 mortes conforme balanço divulgado pelo Ministério da Saúde libanês. Um soldado israelense morreu no Líbano neste domingo, elevando para cinco o total de militares israelenses falecidos desde a assinatura do memorando de entendimento.

O Hezbollah afirmou que Israel é "totalmente responsável" pelas violações da trégua. Embora o cessar-fogo acordado em abril entre Irã e Estados Unidos tenha sido amplamente respeitado, a situação libanesa testemunhou três acordos de trégua que duraram apenas horas antes do retorno dos confrontos.

Impasse econômico e geopolítico

O fechamento do Estreito de Ormuz representa uma escalada significativa nos riscos econômicos globais. Durante grande parte do conflito anterior, o Irã havia bloqueado esta via estratégica, afetando os mercados mundiais de energia. Como parte do memorando de entendimento, Teerã concordou em reabrir a passagem, e o tráfego marítimo foi retomado gradualmente nos últimos dias.

Donald Trump advertiu que aplicará um pedágio no Estreito caso não haja acordo satisfatório sobre as demais questões em disputa. Este cenário coloca em risco tanto os ganhos diplomáticos recentes quanto a estabilidade dos mercados energéticos internacionais.

Perspectivas para as próximas semanas

Os próximos 60 dias serão críticos para determinar se o entendimento entre EUA e Irã avançará ou entrará em colapso. A simultaneidade entre ameaças militares de Trump e negociações lideradas por Vance sugere uma estratégia de pressão diplomática combinada com opções de força. O comportamento de ambas as partes nas próximas semanas definirá se o acordo inicial evoluirá para um tratado permanente sobre o programa nuclear iraniano e as sanções econômicas.

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