Relatório 365 Dias

Desemprego juvenil mundial atinge 67 milhões em 2025

Desemprego juvenil mundial atinge 67 milhões em 2025
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Desemprego entre jovens cresce globalmente em 2025

O desemprego entre jovens registrou aumento significativo em 2025, impulsionado por crescimento econômico insuficiente, instabilidades geopolíticas e dificuldades na criação de novos postos de trabalho. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou alerta nesta quarta-feira sobre a deterioração das oportunidades laborais para pessoas entre 15 e 24 anos, com perspectivas ainda mais preocupantes diante dos avanços tecnológicos.

A taxa global de desemprego entre jovens alcançou 12,4% em 2024, comparado a 12,3% em 2023, representando aproximadamente 67 milhões de indivíduos desempregados ao redor do globo. Conforme relatório divulgado pela agência das Nações Unidas responsável por políticas trabalhistas, este cenário interrompe a recuperação observada no período pós-pandemia, refletindo deterioração simultânea na quantidade e qualidade das oportunidades disponibilizadas aos jovens trabalhadores.

Deterioração em múltiplas regiões do planeta

A análise regional realizada pela OIT identificou que o desemprego entre jovens aumentou em oito das onze sub-regiões examinadas entre 2023 e 2025. Tanto nações desenvolvidas quanto economias de renda média e baixa sofreram com essa elevação das taxas de desocupação juvenil.

Os Estados Árabes registraram o maior índice, alcançando 26,2%, seguido pela região norte africana com 22,6%. Entretanto, algumas das piores deteriorações ocorreram justamente em economias mais desenvolvidas. Na América do Norte, a taxa passou de 8,3% em 2023 para 9,8% em 2025, enquanto norte, sul e oeste europeu apresentaram índice de 15%.

Redução de oportunidades intermediárias no mercado

A OIT destacou preocupação particular com a diminuição de vagas que demandam qualificação intermediária, como funções administrativas, comerciais e industriais. Historicamente, essas posições funcionaram como principal porta de entrada no mercado laboral para graduados em nível médio e superior.

Esta redução de oportunidades cria cenário onde maior número de jovens compete por quantidade reduzida de vagas, prolongando períodos de busca por emprego e intensificando desemprego entre aqueles com formação técnica ou universitária. O relatório menciona que mais de 257 milhões de jovens não trabalham, não estudam e não participam de programas de formação profissional.

Inteligência artificial como fator amplificador de desafios

A transformação digital do ambiente corporativo, potencializada pelos avanços em inteligência artificial, representa risco adicional ao mercado de trabalho juvenil. A OIT estima que 6,1% dos empregos atualmente ocupados por pessoas entre 15 e 29 anos localizam-se em setores particularmente expostos às mudanças provocadas por tecnologias de IA.

Nestas funções, ferramentas de inteligência artificial possuem potencial para substituir parcialmente tarefas realizadas por trabalhadores ou modificar substancialmente a forma como o trabalho é executado. Caso apenas 10% desses empregos fossem completamente eliminados, aproximadamente 5,6 milhões de jovens trabalhadores enfrentariam desemprego, mudança de carreira ou saída do mercado laboral. Impacto mais significativo afetaria países de alta renda.

Crescimento em setores qualificados versus informalidade

Contrastando com a redução de vagas intermediárias, o número de posições em setores que exigem qualificação elevada, como ciência, engenharia, saúde e tecnologia da informação, continua expandindo na maioria dos países.

Porém, jovens em nações em desenvolvimento frequentemente carecem de recursos financeiros para permanecerem desempregados prolongadamente, aceitando trabalhos instáveis e desprovidos de garantias formais. Dados da OIT indicam que aproximadamente nove em cada dez jovens trabalhadores em países de renda baixa e média-baixa encontram-se em empregos informais, que caracteristicamente oferecem menor proteção trabalhista, acesso limitado a benefícios e mecanismos reduzidos de proteção social.

Perspectivas futuras e alertas da organização

A OIT ressaltou existência de incerteza sobre impacto de longo prazo da inteligência artificial no mercado de trabalho global. Contudo, enfatizou que riscos associados não devem ser subestimados pelas autoridades e formuladores de políticas públicas.

O relatório conclui afirmando que "o cenário está piorando praticamente em todo lugar", destacando necessidade urgente de ações coordenadas para enfrentar crise de desemprego entre jovens e preparar força de trabalho para transformações tecnológicas vindouras.

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