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Evangélicos e voto: mapa mostra correlação com votação em segundo turno

Evangélicos e voto: mapa mostra correlação com votação em segundo turno
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Correlação entre evangélicos e desempenho eleitoral nos municípios

Um cruzamento de dados do Censo 2022, realizado pelo IBGE, com os resultados da votação do segundo turno das eleições presidenciais revela uma associação significativa entre a presença evangélica nos municípios brasileiros e o comportamento do voto. A análise município a município demonstra que a proporção de eleitores evangélicos e a distribuição de votos apresentam padrões distintos conforme as regiões do país.

O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Lula (PT) no segundo turno, alcançou seu melhor desempenho justamente nos municípios com maior concentração de população evangélica. Enquanto a reeleição de Lula foi confirmada com 51,8% dos votos válidos contra 48,2% do candidato do PL, a votação de Flávio variou de 7,6% a 90,5% nos diferentes municípios, enquanto a proporção de evangélicos oscilou entre 1,2% e 88,7%.

Análise dos dados por faixas de presença evangélica

Para compreender a relação entre presença evangélica e comportamento eleitoral, os dados foram organizados em faixas de percentual populacional. Nos 502 municípios onde os evangélicos representam até 10% da população, Lula conquistou 68,5% dos votos válidos, enquanto Flávio obteve apenas 31,5%.

Na segunda faixa, compreendendo municípios com 10% a 20% de evangélicos (1.929 cidades), a liderança de Lula persistiu com 61,3% contra 38,7% de Flávio. Porém, conforme aumenta a presença evangélica, o padrão muda significativamente.

Entre 20% e 30% de população evangélica (1.819 municípios), a diferença diminui consideravelmente. Lula aparece com 51,3% dos votos válidos contra 48,7% de Flávio, demonstrando um equilíbrio maior. A partir dos 30% de evangélicos, o resultado se inverte completamente a favor do candidato do PL.

Nos 973 municípios com proporção entre 30% e 40% de evangélicos, Flávio alcançou 54,2% enquanto Lula obteve 45,8%. Na faixa seguinte, entre 40% e 50%, o placar foi de 54,6% a 45,4%. Nos 58 municípios onde a população evangélica ultrapassa 50%, Flávio chegou a 55,2% contra 44,8% de Lula.

O Centro-Oeste: padrão mais evidente de concentração evangélica

A região Centro-Oeste apresenta o padrão mais nítido da associação entre presença evangélica nos municípios brasileiros e votação. Ali, 42% dos municípios estão simultaneamente no grupo de maior presença evangélica e de maior votação no candidato do PL. A mancha deste padrão se estende de Mato Grosso a Goiás, avançando por Rondônia, Tocantins e sul do Pará.

Cidades como Goiânia, Campo Grande e Cuiabá, com proporção de evangélicos acima da média nacional, registraram vitórias amplas de Flávio. Em Anápolis (GO), onde a presença evangélica é ainda maior, a vantagem do candidato do PL foi ainda mais expressiva, reforçando a correlação observada na região.

Realidades distintas no Nordeste e comportamento divergente no Sul

O Nordeste apresenta uma dinâmica diferente. Em 55% dos municípios nordestinos, os evangélicos são proporcionalmente poucos e Flávio teve votação reduzida. O interior nordestino concentra cidades com menor presença evangélica e votação expressiva de Lula. Juazeiro do Norte (CE), conhecida como polo de romarias católicas, exemplifica este padrão. Grandes cidades como Salvador e Teresina ofereceram ampla vantagem ao presidente reeleito.

O Sul, por sua vez, demonstra um padrão inverso: Flávio é forte mesmo sem elevada proporção de evangélicos nos municípios brasileiros daquela região. Montauri (RS) é a cidade com menor percentual de evangélicos do país e, ainda assim, votou largamente em Flávio. O mesmo ocorre em Caxias do Sul (RS) e Florianópolis (SC), de maioria católica. Arroio do Padre (RS), o município mais evangélico do Brasil, também votou massivamente em Flávio, demonstrando que no Sul o candidato do PL teve vantagem em ambos os extremos.

O Norte: evangélicos e votação descorrelacionados

No Norte ocorre uma inversão clara do padrão observado no Centro-Oeste. Em grandes extensões do Amazonas e Pará, a presença evangélica é elevada, porém a votação de Flávio permaneceu na faixa intermediária ou baixa. Isso indica que nestes estados, municípios com maiores percentuais de evangélicos tendem a registrar percentuais menores de votos em Lula.

Compreendendo correlação versus causalidade

Importante destacar que correlação não demonstra causalidade. A religião pode não ter causado o resultado eleitoral observado. O indicador apenas evidencia que as duas variáveis se movimentam juntas em determinadas regiões, sem isolar outros múltiplos fatores que diferem os municípios e influenciam o comportamento eleitoral.

A composição religiosa não explica sozinha a geografia eleitoral. Existem áreas do Centro-Oeste com elevados percentuais de evangélicos coincidindo com forte votação em Flávio, enquanto partes do Sul registram força eleitoral equivalente do candidato do PL sem correspondência semelhante entre as duas variáveis.

Pesquisas de intenção de voto confirmam tendência

O mapa reforça tendências indicadas por pesquisas de intenção de voto. Levantamento Datafolha realizado em 6 e 7 de outubro, logo após o primeiro turno, apontava que Flávio tinha 69% de intenção entre eleitores evangélicos, contra 25% de Lula. Diferentemente de seu pai, Jair Bolsonaro, que se declara católico, Flávio foi batizado na fé evangélica, podendo influenciar sua aceitação neste segmento religioso específico.

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