Relatório 365 Dias

Mercosul-UE completa meio ano com crescimento de 14,8% no agronegócio

Mercosul-UE completa meio ano com crescimento de 14,8% no agronegócio
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Acordo comercial Mercosul-UE atinge marco de seis meses com resultados expressivos

O acordo comercial Mercosul-UE completa seis meses neste domingo com números que demonstram o impacto positivo da parceria. Desde o início de sua aplicação provisória, em maio de 2026, o acordo comercial Mercosul-UE já apresenta crescimento significativo nas exportações brasileiras, consolidando-se como um marco importante para a economia do país.

Após mais de 25 anos de intensas negociações entre os dois blocos econômicos, a parceria finalmente começou a gerar resultados concretos. A conexão entre o Mercosul e a União Europeia reúne aproximadamente 720 milhões de pessoas e movimenta um Produto Interno Bruto superior a US$ 22 trilhões, criando um dos maiores mercados integrados do mundo.

Crescimento expressivo das exportações agrícolas brasileiras

Os primeiros indicadores econômicos revelam que o acordo comercial Mercosul-UE está funcionando conforme esperado, com ampliação nas oportunidades comerciais. No período de cinco meses, compreendido entre maio e setembro de 2026, as exportações brasileiras para o bloco europeu apresentaram crescimento de 21% em diferentes setores econômicos, de acordo com informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Especificamente no agronegócio, o crescimento foi ainda mais robusto, atingindo 14,8% em valor. As vendas brasileiras de produtos agropecuários e agroindustriais ao mercado europeu totalizaram US$ 12,21 bilhões durante esse período, comparado ao mesmo intervalo do ano anterior, conforme dados do Ministério da Agricultura e Pecuária. O Brasil embarcou 17,74 milhões de toneladas de produtos do agronegócio para os 27 países da União Europeia, representando aumento de 8,1% em relação aos mesmos meses de 2025.

Por que as exportações estão crescendo

A dinâmica do crescimento está diretamente relacionada à redução das tarifas de importação negociadas no acordo. Com a diminuição dos custos aduaneiros, os produtos brasileiros tornam-se mais competitivos no mercado europeu, facilitando a entrada de mercadorias e ampliando significativamente as oportunidades comerciais para exportadores nacionais.

A aplicação provisória das regras comerciais do acordo começou em 1º de maio de 2026, implementando reduções tarifárias para diversos produtos agropecuários brasileiros conforme cronogramas específicos estabelecidos durante as negociações entre os blocos.

Setores que mais crescem no agronegócio

O crescimento não foi uniforme entre os segmentos. Os produtos apícolas, especialmente o mel, registraram a maior expansão percentual com aumento de 367% em valor. Este desempenho extraordinário reflete a competitividade dos produtos brasileiros após a redução tarifária.

Os produtos oleaginosos, excluindo a soja, apresentaram crescimento de 161% em valor. As exportações de carnes avançaram significativamente, aumentando 103,5% em valor e 170% em volume, passando de 101 mil toneladas para 272 mil toneladas.

O complexo soja manteve sua posição como principal grupo de produtos exportados pelo agronegócio brasileiro para a União Europeia. As vendas de soja em grãos cresceram 49% em valor e 35,1% em volume, enquanto as exportações de farelo de soja avançaram 22,5% em valor e 10,6% em volume. O complexo soja como um todo apresentou alta de 34,2% em valor, passando de US$ 3,12 bilhões para US$ 4,19 bilhões.

Outros segmentos também apresentaram desempenho positivo: produtos florestais cresceram 23%, frutas nozes e castanhas avançaram 15%, enquanto demais produtos de origem animal aumentaram 55,5% em valor.

Destaque para abacate e óleo de milho

Entre os produtos individuais, o abacate se destaca com uma das maiores expansões percentuais do período. As exportações passaram de US$ 3,81 milhões entre maio e setembro de 2025 para US$ 19,87 milhões no mesmo período de 2026, representando alta de 421,2%. O volume embarcado também aumentou 433,7%.

O óleo de milho bruto também merece destaque especial. Suas vendas cresceram 266,3% em valor, passando de US$ 35,31 milhões para US$ 129,35 milhões, com aumento de 205,8% em volume.

No setor de frutas, a manga cresceu 31,2% em valor e 23,6% em volume, enquanto as maçãs avançaram 28,8% em valor e 33,7% em volume. No segmento cafeeiro, o café torrado apresentou alta de 91,6% em valor e 116,5% em volume, e o café solúvel cresceu 19% em valor e 38,2% em volume.

Indústria também se beneficia das novas condições comerciais

Além do agronegócio, a indústria brasileira também experimenta crescimento significativo sob as novas regras comerciais. Produtos como ferrossilício-manganês, alumínio em bruto, óleos combustíveis e etanol registram aumento nas vendas para o mercado europeu.

Um exemplo notável é o setor de transformadores elétricos, que passou de zero para US$ 39 milhões em exportações durante o período analisado, demonstrando a abertura de novos mercados para produtos industriais brasileiros.

Cronograma de redução tarifária

O acordo estabelece cronogramas específicos para a redução de tarifas de diferentes produtos. Para produtos como café torrado e abacate, as tarifas serão eliminadas completamente em 2030. No caso do abacate, o primeiro corte correspondeu a 20% da tarifa-base.

O acordo prevê ainda acesso ao mercado europeu para outros produtos importantes da pauta exportadora brasileira, incluindo carnes bovina, suína e de aves, açúcar, etanol, arroz, mel, milho e sorgo. Alguns benefícios estão vinculados a cotas de importação, com limites de volume e condições específicas para cada mercadoria.

Brasil amplia superávit comercial agrícola com a União Europeia

As importações brasileiras de produtos agropecuários e agroindustriais da União Europeia somaram US$ 1,67 bilhão entre maio e setembro de 2026, representando aumento de 3,3% em relação ao mesmo período anterior, quando chegaram a US$ 1,62 bilhão.

Apesar do aumento nas compras, o Brasil ampliou significativamente o superávit comercial do agronegócio com o bloco europeu. O saldo positivo cresceu de US$ 9,01 bilhões nos cinco primeiros meses de 2025 para US$ 10,54 bilhões em 2026, representando crescimento de 17% no superávit comercial.

Jornada de negociação que durou mais de duas décadas

As negociações entre Mercosul e União Europeia iniciaram-se em 1999, estendendo-se por mais de 25 anos. Ao longo desse período, divergências comerciais, ambientais e políticas dificultaram significativamente a conclusão do tratado.

Os instrumentos do acordo foram assinados em 17 de janeiro de 2026, marcando o fim de uma longa trajetória de negociações. A aplicação provisória das disposições comerciais começou em 1º de maio, permitindo que parte dos compromissos de redução tarifária entrasse em vigor antes da entrada definitiva da parceria.

O acordo prevê liberalização total ou parcial de aproximadamente 99% das exportações agrícolas brasileiras para o mercado europeu, através da eliminação de tarifas ou de condições preferenciais de acesso, incluindo cotas para determinados produtos.

Desafios na implementação do acordo

Embora o acordo apresente resultados promissores, a implementação está sendo gradual. Os exportadores brasileiros precisam cumprir exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade estabelecidas pela União Europeia.

Um ponto de atenção relevante é o Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento, que estabelece requisitos ambientais rigorosos para a entrada de determinadas mercadorias no bloco europeu. Os exportadores brasileiros devem adaptar-se a essas exigências para aproveitar plenamente os benefícios do acordo comercial Mercosul-UE.

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